PARA DOBRAR A FELICIDADE, É PRECISO PARTILHÁ-LA

“Pour doubler le bonheur, il faut le partager!” 

Paul Bocuse.

Recentemente, algumas pessoas me perguntaram sobre o blog. Cadê os textos?

Bom, a verdade é que me sento para escrever todos os dias, mas tenho sofrido de um bloqueio criativo gastronômico. Não me faltam palavras, me faltam pratos criativos no dia-a-dia. Como, penso eu, como vou poder escrever sobre comida sendo que tenho cozinhado ou saído para comer cada vez menos? A palavra “embuste” não sai da minha cabeça.

Eu tenho padecido de uma preguiça de cozinhar. Logo eu, que amo cozinhar desde pequenininha.

Estou morando sozinha. Sempre fui muito intolerante com pessoas que justificam comer mal com o fato de morarem sozinhas. Para mim, não é desculpa encher o corpo de porcarias, ou comer de pé, só porque você não está compartilhando a refeição com ninguém. Mas mordi a língua: depois de meses por minha conta, ainda vou à feira e ao mercado, ainda planejo refeições, mas sofro com o excesso de comida. Porque das duas uma: ou você bagunça a cozinha para fazer apenas 50 gramas de macarrão ou você passa a semana inteira comendo sobras de refeições passadas, sejam congeladas ou não.

O fato de estar me alimentando “direitinho” também contribui. Falei em um texto anterior que finalmente fiz as pazes com minha alimentação, comendo coisas gostosas, mas priorizando a saúde. Isso quer dizer que meus dias são cheios de confort food, com arroz, feijão, salada, purê. Mas qualquer bocadinho de feijão cru rende feijão cozido para meses no meu freezer. Ver o meu congelador se encher me dá um faniquito. Não consigo fazer muita comida nova sendo que meu freezer está cheio. Isso está trazendo um pouco de monotonia para o meu dia-a-dia. Tenho sofrido um pouco com isso.

Fazer arroz e feijão é uma coisa meio coletiva: quanto mais gente, melhor. Não à toa que brasileiro adora reunir gente em volta da mesa. Fazer pouquinho é para os fracos, rs.

Também me dei conta que cozinhar, mesmo que seja para um almoço no meio de uma terça-feira, é um ato meio festivo. Existem tipos e tipos de cozinheiros. Tem aquele que quer acabar logo com isso, tem aquele que faz coisas gourmets para os amigos, mas não sabe distinguir salsinha de coentro, tem aquele que nunca leu um livro de receita mas manda muitíssimo bem no tempero, tem aquele que faz mágicas com uma despensa vazia e tem aquele que transfere amor para o outro em forma de comida. Esse último tipo sou eu.

Como boa introvertida que sou, tenho um pouco de dificuldade de expressar verbalmente o meu amor ou minha amizade. Mas se eu apareci na sua porta com um pão, saiba que esse é meu jeito de dizer que me importo com você.

E sozinha, como farei isso? Não me venha com esse papo de “saiba amar sua própria companhia”. Eu amo minha própria companhia, mas me dou por satisfeita passando um café de coador e fazendo uma sopinha. Não sou de grandes exigências. Minhas plantas estão bem alimentadas. Sobra até pro meu sobrinho cachorro, o Charlie. Em um mês como babá dele, um belo dia me vi procurando no Google “como cozinhar refeições balanceadas para cachorros”. Aí vi que a coisa tinha ido longe demais. Naquele mês, posso assegurar que ele passou muitíssimo bem. Atirar bolinhas? Não, obrigada. Coçar atrás da orelha? Não faço o tipo. Mas quem resiste a vê-lo lamber a tigelinha com tanto entusiasmo? Caso encerrado para mim.

 Suflê de goiabada com calda de catupiry. Taí uma receita que só faço para os outros!

Suflê de goiabada com calda de catupiry. Taí uma receita que só faço para os outros!

Não à toa minha casa recebeu tantas visitas esse ano. Também passei mais tempo no último ano viajando do que na minha própria casa, fazendo outras pessoas cozinharem para mim. Mas essa agrura está perto de um fim. Minha irmã está voltando para casa depois de um longo intercâmbio, e finalmente poderei voltar a reclamar de ter que atender às suas exigências, de ter que fazer panquecas no domingo de manhã ou fazer receita dobrada de molho à bolonhesa. Ah! E à família, amigos, crushs e afins, fica o convite para cafés, almoços e jantares. Só aparecer 😊

Texto dedicado à minha hermanita Giulia