Sobre feijão preto e biscoitos Globo

"Aperte o cinto, vamos chegar

Água brilhando, olha a pista chegando

E vamos nós aterrar"

Ih, pessoal, eu sumi! E o motivo do sumiço é nada mais nada menos que o maior evento esportivo do mundo: os Jogos Olímpicos Rio 2016.

Estou aqui no Rio por conta do meu trabalho, mas pensei que poderia descolar algumas coisas para postar no blog. Ledo engano. Olimpíadas dá muito trabalho, e nas poucas horas que sobram eu faço coisas supérfluas tipo comer e dormir.

Tem sido uma época de muito aprendizado e inspiração, e vou dizer: respeito quem pôs a cara pra bater para organizar qualquer coisa dentro dos Jogos. Frustrações políticas, governamentais e estratégicas à parte, no final das contas tem muita gente trabalhando aqui, suando à beça para deixar as coisas apresentáveis. Mordi minha língua, pois até cheguei a criticar lá atrás essa decisão e agora cá estou, no meio da muvuca, lidando com gente e deixando meu ceticismo de lado.

A Olimpíadas vai trazer muito prejuízo, isso não dá para negar, mas tem o tal do legado, que na minha opinião é mais intangível do que tangível. Ao chegar aqui, a gente dá o braço a torcer. Não tem jeito, somos brasileiros. A gente reclama, reclama, reclama, mas na hora se emociona muito de ver que do nosso jeito meio mambembe a gente conseguiu por a coisa de pé. Fora que o clima que toma conta da cidade é único, multicultural, hospitaleiro.

Curti.

É a primeira vez eu venho ao Rio. Logo no primeiro dia, de dentro do carro entre um evento e outro, pensei: ah, é bonito, mas nem é tãããão bonito assim. Mas o Rio vai conquistando você e no breve hiato que tive de pausa entre uma semana olímpica e outra, senti falta de ver o mar de dentro do carro (é, porque ainda não deu tempo de ir à praia).

Nas semanas que se passaram, uma parte da nossa equipe era americana. Três pessoas vieram para o Brasil para ajudar no nosso projeto, e fazíamos as refeições juntos. Os estrangeiros em questão eram super abertos em relação à culinária, então não precisávamos nos preocupar aonde iríamos comer (mesmo porque depois de alguns dias a criatividade acaba). E lá íamos. Fiquei muito feliz de ver que o nosso arroz e feijão caiu nas graças, e eles comiam tanto no almoço quanto no jantar. Já a farofa, nem tanto. “Muito seco”, eles diziam. Feijoada eles gostaram muito, o nosso churrasco também.

Também teve um dia que eles me perguntaram sobre um prato que eles tinham comido em um quilo, porque eles queriam pedir de novo. Uma carne fatiada com um molho. “Ah, Strogonoff!” eu falei. Olha só, eles estavam mais brasileiros que imaginávamos. E, pensei cá com meus botões: strogonoff pode nem ser brasileiro, mas já incorporamos na nossa cultura!

Hoje não tem receita nem restaurante, mas estava com uma saudade imensa de escrever aqui (igual a gente tem saudade de uma pessoa). De qualquer jeito, estou pegando váááárias inspirações para posts nas semanas que virão. Ainda vou sumir por mais um tempo, afinal temos mais uma semana de Olimpíadas. Mas me aguardem!

Beijo (nas duas bochechas).