CENTRO DE SP – OLHAR DE TURISTA

“Alguma coisa acontece no meu coração

Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi

Da dura poesia concreta de tuas esquinas

Da deselegância discreta de tuas meninas”

Caetano Veloso - Sampa.

Em 2014, a primeira vez que fui para Nova York, eu peguei aqueles ônibus de Hop-On e Hop-Off (típico né?) e dei umas “bandas” pela cidade inteira. Lembro direitinho de um momento em que estávamos passando pela Little Italy, quando pensei: “esse bairro me lembra São Paulo, e faz tempo que eu não dou uma de ‘turista’ por lá”.

Meu dia de turista.

Meu dia de turista.

Agora, de volta para cá. Eu moro super perto do centro de São Paulo, mas eu nunca vou lá para passear. Sempre tenho algum objetivo (Mercadão, 25 de março, Paula Souza, etc.) e como sempre é aquela muvuca, tento sair o mais rápido possível assim que faço o que tenho que fazer. Mas nos dois últimos finais de semana, eu fiz diferente.

Munidos de sapatos confortáveis e câmera fotográfica, lá fomos nós revisitar paisagens que eram velhas conhecidas, mas ao mesmo tempo não exploradas por nós. Fomos lá com olhar de turista, assim como a música do Caetano acima (afinal, que paulistano que chama sua própria cidade de sampa? Eu não conheço, rs).

E como é lindo. Lindo mesmo, de uma maneira um pouco nostálgica e melancólica, pois o centro de São Paulo deixa claro que já viveu melhores tempos.

Vivemos agora uma redescoberta tímida do Centro, mas não tenho dúvidas que todos os personagens que lá vivem merecem um prestígio maior (que vai dos comerciantes, habitantes até os mendigos e sem-teto).

Fiquei pensando qual seria o meu papel nisso tudo: seria visitar o centro, prestigiá-lo, colocá-lo na minha rota sem pressa e desfrutar dele com um outro olhar. Minha mãe sempre fala que a presença e o calor humano faz milagres. Por exemplo: vivemos na mesma casa durante anos sem nos preocupar com o estado das portas, mas é só a casa ficar abandonada que a porta estraga rapidamente.

Então, vamos tentar fazer diferente: em vez de ir num restaurante no centro de carro e voltar para casa assim que a refeição acaba, sugiro você ir de metrô e fazer seu trajeto a pé, para que você possa aproveitar todos os ângulos e prolongar seu passeio. Se você já faz isso, te convido a deixar aqui nos comentários quais são seus restaurantes e lugares preferidos de lá. =)

Coloco abaixo os lugares que fizeram parte dos meus roteiros “turísticos” nesses últimos finais-de-semana (quem me segue no Insta @mandolinablog já teve um preview do que rolou!).

RINCONCITO PERUANO

Desde meus tempos que passei no Chile, dei uma viciada em comida peruana (lá tem muitos restaurantes típicos peruanos). Para falar a verdade, o prato de que menos sinto falta é o Ceviche. A comida peruana tem um fator confort food que o brasileiros se identificam bastante, e ela pode ser bem sofisticada também. 

O Rinconcito Peruano é um restaurante já muito famoso e bem-sucedido, com várias filiais. Fomos na matriz, que fica na rua Aurora. O atendimento é rápido, com preço justo e tempero autêntico. Só fiquei chateada pois não tinha meu querido Ají de Gallina. Voltarei mais vezes lá com a esperança de que coloquem no cardápio. =)

Começamos pela causa peruana de entrada. Purê de batatas enformado e temperado. Muito bom.

Começamos pela causa peruana de entrada. Purê de batatas enformado e temperado. Muito bom.

Leche de tigre. Até onde eu sei, o leche de tigre é o líquido temperado que sobra do Ceviche. O do Rinconcito é super incrementado, cheio de frutos do mar e o melhor acompanhamento do mundo para esse prato: os "milhos gigantes".

Leche de tigre. Até onde eu sei, o leche de tigre é o líquido temperado que sobra do Ceviche. O do Rinconcito é super incrementado, cheio de frutos do mar e o melhor acompanhamento do mundo para esse prato: os "milhos gigantes".

Arroz Chaufa de Mariscos. Esse eu nunca tinha comido antes. Bem farto e cheio de mariscos e frutos do mar. Aquele "mexidão" sem erro.

Arroz Chaufa de Mariscos. Esse eu nunca tinha comido antes. Bem farto e cheio de mariscos e frutos do mar. Aquele "mexidão" sem erro.

MERCADO MUNICIPAL

O mercadão dispensa apresentações.

O que me encanta em mercados são as cores, tudo arrumadinho e organizado nas barracas.

Além do famigerado sanduíche de mortadela e pastel de bacalhau, eu gosto mesmo do pastel de camarão, do bolinho de bacalhau, e de almoçar as amostras de frutas que os vendedores te dão lá.

Vale ir só para admirar e ficar inspirado.

Baguncinha revigorante.

Baguncinha revigorante.

Vôngoles!!!!!

Vôngoles!!!!!

Carla, minha amiga, quem criou o nome da sua loja tá de parabéns!!! hahahahaha

Carla, minha amiga, quem criou o nome da sua loja tá de parabéns!!! hahahahaha

Combinações que só os vendedores do mercadão fazem você você cair.

Combinações que só os vendedores do mercadão fazem você você cair.

Aquela hora que você pára e pensa: "Me vê um cartão de crédito que eu não tenha que pagar e um estômago sem fundo, por favor".

Aquela hora que você pára e pensa: "Me vê um cartão de crédito que eu não tenha que pagar e um estômago sem fundo, por favor".

ESFIHARIA EFFENDI

Tenho um fraco por comida árabe, e a Esfiharia Effendi tava no meu caderninho há um tempão. Do mercadão até esse restaurante é uma caminhada, mas vale a pena. A Effendi fica numa travessa da Rua São Caetano (a das noivas), e serve esfihas e outros pratos armênios feitos na hora num ambiente autêntico. Recomendo. E nesse exato momento to com vontade de repetir a Esfiha de Queijo com Basturma.

Detalhe da decoração da Effendi.

Detalhe da decoração da Effendi.

Combo básico: quibe cru e pastas com pão assado na hora.

Combo básico: quibe cru e pastas com pão assado na hora.

Esfia fechada de escarola, aberta de carne fechadas de carne e aberta com queijo e basturma (um embutido armênio forte mas muito bom).

Esfia fechada de escarola, aberta de carne fechadas de carne e aberta com queijo e basturma (um embutido armênio forte mas muito bom).

CASA MATHILDE

Cheguei à Casa Mathilde por indicação de uma amiga, que falou que lá tinha os melhores pastéis de nata do universo. E ela estava certa. A Casa Mathilde fica do lado da BM&F Bovespa.

Depois de uma tentativa frustrada de ir até lá, finalmente consegui comprovar que essa doceria portuguesa é fora da curva. Lotada e com um ambiente abafado por conta dos fornos, conseguir seus doces pode parecer uma odisséia. Mas até que não foi.

Com uma decoração linda que mistura o tradicional com o moderno, eles têm uma vitrine de doces que me fez ter uma crise de dúvida, rs.

No final peguei dois pastéis de nata e saí correndo. Não vou falar mais nada, você TEM que ir visitar.

Os pastéis de nata sendo feitos aos olhos do público.

Os pastéis de nata sendo feitos aos olhos do público.

Um dos doces da vitrine quilométrica da Casa Mathilde. Todos com uma cara ótima.

Um dos doces da vitrine quilométrica da Casa Mathilde. Todos com uma cara ótima.

A prova do crime.

A prova do crime.

E para encerrar o nosso post do Centro, deixo aqui uma paisagem para europeu nenhum botar defeito.

Vista do Shopping Light, ao lado do Theatro Municipal. Lindo.

Vista do Shopping Light, ao lado do Theatro Municipal. Lindo.