CHEF’S TABLE

“Have you camped upon the foothills, have you galloped o'er the ranges,

Have you roamed the arid sun-lands through and through?

Have you chummed up with the mesa? Do you know its moods and changes?

Then listen to the Wild - it’s calling you.”

Robert W. Service

Quando chega o fim-de-semana, sempre tento encaixar algum filme/ série/ livro ou algo cultural na agenda. É um bom jeito de oxigenar o cérebro e sair daquela toada casa-trabalho-estudo. Se a gente não faz isso, pode reparar que acabamos falando sempre dos mesmos assuntos.

Hoje venho falar de uma série que eu adoro e saio falando para todo mundo por aí: Chef’s Table.

Ela é uma série exclusiva do Netflix (assina logo ou peça a senha pro crush, pro vizinho ou pro cunhado). Recentemente, lançaram uma segunda temporada que continua encantando – dessa vez com um chef brasileiro nos episódios, Alex Atala.

Eu gosto dela porque todos os episódios que eu vi até agora tratam de muito mais do que apenas comida: cada chef tem uma relação com a comida que vai muito além da comercial. Cada um tem uma missão, uma filosofia que eles gostariam de passar ou uma personalidade mais complexa do que a média.

São aquelas pessoas tão focadas em sua paixão pela gastronomia que por vezes outros aspectos de suas vidas - família, estabilidade e lazer – acabam adquirindo um papel bem secundário.

É fácil identificar essas pessoas em outros ambientes: é só lembrar de atletas renomados ou super empresários de outros ramos.

Fora tudo isso, tem alguns elementos que me pegam, que estão em sintonia com meu gosto pessoal: o tipo de edição lenta e solene, a trilha sonora bem escolhida, os aspectos da personalidade do chef que o diretor David Gelb aborda. Tem alguns episódios que assisto, às vezes mais de uma vez, que me deixam pensando por dias. Vocês também têm algum filme, livro ou música nos quais vocês ficam pensando por dias seguidos?

O meu episódio favorito até agora é o do Francis Mallmann. Francis é um chef argentino famoso principalmente por sua relação com o fogo, inclusive foi com ele que a jurada Masterchef Paola Carosella trabalhou e aprendeu.

A história dele é a daquelas pessoas brilhantes que se perdem momentaneamente em um objetivo cego, levam um tapa bem doído da vida e encontram a redenção ao “voltarem para a casa”. Foi o que ele fez.

Quem vê hoje Francis Mallmann promovendo grandes churrascadas e eventos ao ar livre, pode se surpreender ao saber que ele quis trilhar sua carreira como grande chef tradicional, que executava com perfeição grandes clássicos da cozinha francesa. Não que ele não fosse muito bom em suas incursões à cuisine française (mas isso nunca conseguirei confirmar), mas ficou claro que ele se encontrou ao voltar às suas origens, na Patagônia – ao sair da cadeira e ir explorar as paisagens, como ele mesmo fala - e cita Robert W. Service, o autor do começo do nosso texto. E eu concordo tanto com isso! Mesmo que às vezes seja muito difícil de pôr em prática.

O chef e sua maestranza fazendo um curanto, cozido típico da patagônia que se faz ao envolver diversos legumes e carnes com um tecido, cobrindo com cinzas e terras.

O chef e sua maestranza fazendo um curanto, cozido típico da patagônia que se faz ao envolver diversos legumes e carnes com um tecido, cobrindo com cinzas e terras.

Tem uma cena do episódio dele que me fez querer muito fazer igual.

Ele atiça o fogo em um fogão à lenha, com uma paisagem nevada ao fundo, ferve uma água para fazer um café de coador, senta em um sofá, com um livro e sua xícara.

Quem sabe, né? Enquanto isso, sigo me divertindo com as séries, filmes e livros.

Assistam e voltem para dividir suas opiniões e comentários! Beijos,