PEQUENAS E DESPRETENCIOSAS ALEGRIAS

Eu nasci no interior e passei um bom tempo da minha vida lá. E quando eu digo interior, é interior MESMO. Caipira, uma cidade pequena, com terra vermelha e plantações.

Por conta da minha falta de sotaque, e por já morar na cidade grande há bastante tempo, isso talvez possa surpreender as pessoas. Mas tem uma parte de mim que grita de tempos em tempos por voltar às origens. E é quando vou visitar minha avó, que mora lá (além de toda a extensa família e amigos também, rs).

Todos nós temos algumas comidas que trazem memórias das mais deliciosas e queridas. Daquelas recordações que amornam o coração. E não sei você, – posso até “puxar sardinha” pro meu lado de um jeito bem bairrista – mas eu acredito ficar enclausurado em cidades cosmopolitas pode fazer com seu estoque de memórias culinárias afetivas seja reduzido.

De uma maneira geral, aliás. Para criar recordações queridas, recomendo que você saia de casa, do seu quarto, do computador. Vá almoçar com sua família, passear com todo mundo, construa casa em árvores, fure ondas no mar, saia andando por aí. E quanto mais casas de tios, avós, primos, amigos em outras cidades você puder visitar, melhor. E se não tiver nada disso, então crie você mesmo situações assim.

Bom, voltando ao interior, hoje fui à um “Festival do Milho” que estava rolando na minha cidade, a pedido da minha avó. Para quem gosta de comida com jeito caipira, era o paraíso. Tinha milho de tudo quanto é jeito, e para a minha sorte, estava tudo muito gostoso.

Provavelmente se você avalia os lugares de acordo com a beleza e não com o conteúdo, seria difícil de te convencer a ir lá. Era um galpão que havia sido erguido às pressas para o festival, que era promovido pela igreja. Por conta da chuva, o chão de terra estava molhado. Então, eles jogaram palha de arroz no chão para melhorar a situação. No galpão, havia nichos, cada um dedicado a um tipo de comida. No fundo, havia panelões fervendo em fogões à lenha improvisados.

Vários fogões à lenha. Aquecendo os motores para as festas juninas.

Vários fogões à lenha. Aquecendo os motores para as festas juninas.

Para melhorar, estava frio (rolou um clima de festa junina! Que delícia). Como estávamos com um bom grupo, deu para experimentar bastante coisa: pamonha, panqueca de milho, bolinho de milho, pizza (essa foi pouco ortodoxa, rs), sopa de milho, milho de chapa e polenta com frango. Além de curau, cuscuz e bolo de milho que ficaram sem registro porque atacamos antes de fotografar =). 

Moral da história: foi uma delícia porque estava todo mundo feliz de estar fazendo aquilo, faziam com capricho e a comida estava fresquinha.

A pamonha era tirada da panela fervendo, na hora. O bolo até queimava a mão de tão quentinho. Cá entre nós, precisava de mais? Desde que não chova em cima de mim, to topando (#soudessas). Minha sugestão então seria: arrisque e vá atrás de comida boa, que renda uma boa recordação, mesmo que o lugar não seja muito pomposo.

Juro que tentei descolar umas receitas para passar para vocês, mas as donas do quitutes não queria saber de dar moral! Então deixo uma lição de casa: vamos aproveitar o clima caipira e autêntico e nos prepararmos para uma festa junina? Vale tudo para arranjar receitas: perguntar para o Google ou ligar para a avó. Depois me contem aqui. Logo, logo eu trago umas receitas dessas!

Beijos.