A delícia de uma feira

Quando falo que amo ir à feira, de vez em quando sinto alguns olhares me julgando. Confesso que é meio engraçado, pois deveria ser muito mais comum uma pessoa como eu dormir tarde porque foi na balada, do que acordar cedo para ir na feira.

Mas eu sempre gostei de feira, desde criança, talvez porque fosse um "brincar de comidinha" numa proporção muito mais real.

Depois que me mudei para o meu atual apartamento, tive a sorte de poder usufruir de uma feira que fica bem na minha rua. Mas, a vida corrida consome a gente, então, quando dava, eu freqüentava a feira de sábado, que fica no estacionamento do estádio do Pacaembu (em São Paulo).

Que me desculpem quem é muito cool e blasè, mas não consigo descrever a minha alegria em ir à feira :-). É uma dessas coisas que me fazem sentir que estou vivendo a vida. Deve ser porque uma feira trabalha com diversos sentidos nossos: as cores aguçam nossa visão, experimentamos as frutas que os feirantes (ainda bem) insistem que provemos, sentimos a firmeza dos tomates, cheiramos (ou deveríamos cheirar) os pêssegos para saber se estão doces.

Somente a nossa audição que fica prejudicada, mas não há nada tão típico quanto: "Moça bonita não paga, mas também não leva!".

Faz uns meses que posso desfrutar do privilégio de ir à feira da minha rua, de sexta-feira. E quanto maior a freqüência que você puder ir, melhor vai ser sua experiência. Você começa a conhecer os feirantes, saber onde estão as melhores ofertas, os legumes mais bonitos e os peixes mais frescos. Eles "mexem" menos com você, mas são mais gentis. Te ajudam a escolher a fruta e não empurram os produtos que já estão próximos de estragar.

Nem sempre é mais barato, mas, para mim, a qualidade compensa.

Acho que todo mundo sabe como se deve fazer uma feira, mas vou contar como faço: faço uma lista do que quero comprar, mas os produtos "cativos"que eu mais gosto de comprar na feira - tomates, cebolas, alho, saco de lixo (não estranhem), feijões a granel (azuki, grão-de-bico, fradinho), ovos (lá tem os maiores e mais bonitos), limão, ervas (Salsinha, Cebolinha, Hortelã), banana, agua de côco fresca, etc.

Em seguida, pesquise qual o produto da estação. Saber o que é da época é muito útil. Eu amo alho-porós, mas agora só compro quando é época. Uma vez estava com vontade de comer melão e tomei um susto quando fui comprar e estava 25 reais a unidade.

Quando você compra o que é da estação, paga mais barato, leva produtos mais saborosos e com menos agrotóxicos - além de ajudar os pequenos agricultores ;-).

Para isso, eu sigo o Instagram do Ministério da Agricultura @mdagovbr (assumo que sou nerd! hahahaha). Eles postam a cada mês o que está melhor. Você pode procurar na internet, as listas divergem conforme região, mas dá para ter uma boa noção.

Separe um carrinho (outro dia ganhei um carrinho do meu pai de metal de dois andares, bem típico, fiquei tão feliz!), uma sacola, dinheiro, e seja feliz. Chegando em casa, guarde e arrume tudo. Dica: arrume todas as frutas em uma bela fruteira, pode até ser uma travessa de vidro, e coloque em cima da mesa da sala. A visão das cores e a beleza das frutas vai ser uma recompensa pelo seu esforço.

Porque ir à feira é um esforço, sim, eu sei. Levantar cedo, antes do trabalho, carregar, escolher. Mas é tão compensador. É um incentivo para comer de maneira mais saudável.

E levem as crianças: gente, elas precisam saber diferenciar cada tipo de produto. Envolva a criança na escolha das frutas, das verduras. O fato de ela conhecer o processo vai fazer com que ela crie "gosto" por esses elementos, e com que ela não despreze na hora que chegar à refeição. E é bom, porque a gente descobre várias coisas também. Os feirantes têm cada receita para nos passar!

Caqui ou tomate? :P

Caqui ou tomate? :P

Pergunte ao seu vizinho qual a melhor feira da região ou entre nos sites: http://feiralivre.cc/ e http://feirasorganicas.idec.org.br/

Boas compras!

Crédito das fotos acima: Giulia Cervetto.

Crédito das fotos acima: Giulia Cervetto.