Não me venha com cream cheese

Fazia algum tempo que estava com vontade de comer um japonês “de verdade”. Porém, como reles mortal que sou, os japoneses “de verdade” estão com um preço um pouco restritivo para mim. Qualquer rodízio por aí faz com que a conta chegue a três dígitos por pessoa.

E sabe aquela situação de quando você está com vontade de comer alguma coisa, fica tentando disfarçar, comer outras comidas para matar vontade, e no final acaba gastando mais e comendo mais do que teria comido se fosse direto na vontade?

Então, aconteceu isso nesses últimos dois meses.

Ficava tentando matar a vontade de um japonês “de verdade” em qualquer rodízio mequetrefe, e saía com a conta bancária mais vazia e com um enorme peso na consciência. Outro dia, fui jantar com uma amiga e ela riu quando falei que “queria um japonês que não pusesse geléia no sushi”.

Até que um dia, no trânsito, vejo uma oportunidade que ia me salvar: o Ryo estava fazendo um soft opening de estreia e mediante reserva eu poderia experimentar uma bela demonstração da culinária kaiseki. Isso é o que eu chamo de compra “por impulso”!

Já fazia um tempo que eu estava sendo impactada por posts em instagram e notícias em jornais sobre o Ryo. Apesar de já ter ouvido falar e lido um pouco a respeito desse estilo gastronômico, em uma breve pesquisa pude descobrir que a origem da culinária kaiseki vem dos monges. Tem dois estilos de kaiseki, o formal (para a cerimônia do chá) e o casual. Os dois são compostos por inúmeras etapas servidas em porções pequenas, e cada uma tem sua função.

Finalmente, ontem, pude ter a oportunidade de provar. Foi um belo jantar, para dizer o mínimo. Composto por sete etapas (com sobremesa), o menu consistia de pratos lindos, leves e super saborosos. Os meus favoritos foram os niguiris super bem executados e os legumes cozidos em dashi. Os do meu namorado foram o peito de pato e sashimi de polvo com flor de sal. A única ressalva foi que, depois de ficar lendo o menu por algum tempo, chegou a minha vez e o uni tinha acabado. #chateada

Teve também um elemento que me surpreendeu: o chá. A expectativa em relação à comida estava altíssima, e ela correspondeu. Mas quando provei o chá servido em uma linda cerâmica, foi uma grata surpresa. Era chá verde com arroz tostado, e isso me rendeu hoje uma visita à Liberdade para fazer um estoque desse chá. Enquanto escrevo, ele me acompanha! Rsrs.

Gosto muito de sentar perto do balcão ou ter a vista da cozinha e ontem sentei em uma mesa com vista para o balcão. Chega a ser hipnotizante ver a ópera dos chefs executando os pratos, conversando com os clientes... Diversão pura! É um jantar especialíssimo, e a conta corresponde a isso. Mas vale a pena, super recomendo. Vida longa ao Ryo! (Rua Pedroso Alvarenga, 665, São Paulo).

Abaixo, os pratos desse jantar super agradável.

Etapa 1: Nimono / Maguro Nutta / Shirogai Hiyashijiru (Cozido de legumes da estação com caldo midashi; Atum escaldado ao molho de sumisso/ Sopa gelada de sanambi, cará ralado, alho-poró e nameko.)

Etapa 1: Nimono / Maguro Nutta / Shirogai Hiyashijiru (Cozido de legumes da estação com caldo midashi; Atum escaldado ao molho de sumisso/ Sopa gelada de sanambi, cará ralado, alho-poró e nameko.)

Etapa 2: Robalo com cogumelos (Cozido em baixa temperatura com molho ankake de umeshissô, cogumelos salteados e broto de bambu.)

Etapa 2: Robalo com cogumelos (Cozido em baixa temperatura com molho ankake de umeshissô, cogumelos salteados e broto de bambu.)

A aguardadíssima etapa 3: Sashimi (Serra, Carapau e Polvo).

A aguardadíssima etapa 3: Sashimi (Serra, Carapau e Polvo).

Etapa 4: Magret de Canard (peito de pato assado ao molho de redução e guarnecido com purê de brócolis e vinagrete de alcachofras). O magret estava perfeito e esse purê de brócolis era extremamente saboroso...

Etapa 4: Magret de Canard (peito de pato assado ao molho de redução e guarnecido com purê de brócolis e vinagrete de alcachofras). O magret estava perfeito e esse purê de brócolis era extremamente saboroso...

Etapa 5: As estrelas da noite, os sushis. (Atum, pargo, olhete, garoupa, toro shissô, vieira e ovas de salmão). O de garoupa estava incrível. Achamos que a adição de raspas de limão escondeu o sabor único da vieira... e até agora estou com vontade de comer o sushi de Uni, que acabou antes de chegar a nossa vez. Snif, snif.

Etapa 5: As estrelas da noite, os sushis. (Atum, pargo, olhete, garoupa, toro shissô, vieira e ovas de salmão). O de garoupa estava incrível. Achamos que a adição de raspas de limão escondeu o sabor único da vieira... e até agora estou com vontade de comer o sushi de Uni, que acabou antes de chegar a nossa vez. Snif, snif.

Etapa 6: Momotarô (tomate momotarô recheado de peixe branco ao caldo dashi de tomate.) Sutil e saboroso.

Etapa 6: Momotarô (tomate momotarô recheado de peixe branco ao caldo dashi de tomate.) Sutil e saboroso.

Etapa 7: Pudim de Limão Siciliano (pudim de limão com calda de mel, chantilly e sorvete de Sake). Detalhe do pudim (sem furinhos!). Estava bom e delicado.

Etapa 7: Pudim de Limão Siciliano (pudim de limão com calda de mel, chantilly e sorvete de Sake). Detalhe do pudim (sem furinhos!). Estava bom e delicado.