Sobre feijão preto e biscoitos Globo

"Aperte o cinto, vamos chegar

Água brilhando, olha a pista chegando

E vamos nós aterrar"

Ih, pessoal, eu sumi! E o motivo do sumiço é nada mais nada menos que o maior evento esportivo do mundo: os Jogos Olímpicos Rio 2016.

Estou aqui no Rio por conta do meu trabalho, mas pensei que poderia descolar algumas coisas para postar no blog. Ledo engano. Olimpíadas dá muito trabalho, e nas poucas horas que sobram eu faço coisas supérfluas tipo comer e dormir.

Tem sido uma época de muito aprendizado e inspiração, e vou dizer: respeito quem pôs a cara pra bater para organizar qualquer coisa dentro dos Jogos. Frustrações políticas, governamentais e estratégicas à parte, no final das contas tem muita gente trabalhando aqui, suando à beça para deixar as coisas apresentáveis. Mordi minha língua, pois até cheguei a criticar lá atrás essa decisão e agora cá estou, no meio da muvuca, lidando com gente e deixando meu ceticismo de lado.

A Olimpíadas vai trazer muito prejuízo, isso não dá para negar, mas tem o tal do legado, que na minha opinião é mais intangível do que tangível. Ao chegar aqui, a gente dá o braço a torcer. Não tem jeito, somos brasileiros. A gente reclama, reclama, reclama, mas na hora se emociona muito de ver que do nosso jeito meio mambembe a gente conseguiu por a coisa de pé. Fora que o clima que toma conta da cidade é único, multicultural, hospitaleiro.

Curti.

É a primeira vez eu venho ao Rio. Logo no primeiro dia, de dentro do carro entre um evento e outro, pensei: ah, é bonito, mas nem é tãããão bonito assim. Mas o Rio vai conquistando você e no breve hiato que tive de pausa entre uma semana olímpica e outra, senti falta de ver o mar de dentro do carro (é, porque ainda não deu tempo de ir à praia).

Nas semanas que se passaram, uma parte da nossa equipe era americana. Três pessoas vieram para o Brasil para ajudar no nosso projeto, e fazíamos as refeições juntos. Os estrangeiros em questão eram super abertos em relação à culinária, então não precisávamos nos preocupar aonde iríamos comer (mesmo porque depois de alguns dias a criatividade acaba). E lá íamos. Fiquei muito feliz de ver que o nosso arroz e feijão caiu nas graças, e eles comiam tanto no almoço quanto no jantar. Já a farofa, nem tanto. “Muito seco”, eles diziam. Feijoada eles gostaram muito, o nosso churrasco também.

Também teve um dia que eles me perguntaram sobre um prato que eles tinham comido em um quilo, porque eles queriam pedir de novo. Uma carne fatiada com um molho. “Ah, Strogonoff!” eu falei. Olha só, eles estavam mais brasileiros que imaginávamos. E, pensei cá com meus botões: strogonoff pode nem ser brasileiro, mas já incorporamos na nossa cultura!

Hoje não tem receita nem restaurante, mas estava com uma saudade imensa de escrever aqui (igual a gente tem saudade de uma pessoa). De qualquer jeito, estou pegando váááárias inspirações para posts nas semanas que virão. Ainda vou sumir por mais um tempo, afinal temos mais uma semana de Olimpíadas. Mas me aguardem!

Beijo (nas duas bochechas).

Centro de São Paulo - Olhar de turista

“Alguma coisa acontece no meu coração

Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi

Da dura poesia concreta de tuas esquinas

Da deselegância discreta de tuas meninas”

Caetano Veloso - Sampa.

Em 2014, a primeira vez que fui para Nova York, eu peguei aqueles ônibus de Hop-On e Hop-Off (típico né?) e dei umas “bandas” pela cidade inteira. Lembro direitinho de um momento em que estávamos passando pela Little Italy, quando pensei: “esse bairro me lembra São Paulo, e faz tempo que eu não dou uma de ‘turista’ por lá”.

Meu dia de turista.

Meu dia de turista.

Agora, de volta para cá. Eu moro super perto do centro de São Paulo, mas eu nunca vou lá para passear. Sempre tenho algum objetivo (Mercadão, 25 de março, Paula Souza, etc.) e como sempre é aquela muvuca, tento sair o mais rápido possível assim que faço o que tenho que fazer. Mas nos dois últimos finais de semana, eu fiz diferente.

Munidos de sapatos confortáveis e câmera fotográfica, lá fomos nós revisitar paisagens que eram velhas conhecidas, mas ao mesmo tempo não exploradas por nós. Fomos lá com olhar de turista, assim como a música do Caetano acima (afinal, que paulistano que chama sua própria cidade de sampa? Eu não conheço, rs).

E como é lindo. Lindo mesmo, de uma maneira um pouco nostálgica e melancólica, pois o centro de São Paulo deixa claro que já viveu melhores tempos.

Vivemos agora uma redescoberta tímida do Centro, mas não tenho dúvidas que todos os personagens que lá vivem merecem um prestígio maior (que vai dos comerciantes, habitantes até os mendigos e sem-teto).

Fiquei pensando qual seria o meu papel nisso tudo: seria visitar o centro, prestigiá-lo, colocá-lo na minha rota sem pressa e desfrutar dele com um outro olhar. Minha mãe sempre fala que a presença e o calor humano faz milagres. Por exemplo: vivemos na mesma casa durante anos sem nos preocupar com o estado das portas, mas é só a casa ficar abandonada que a porta estraga rapidamente.

Então, vamos tentar fazer diferente: em vez de ir num restaurante no centro de carro e voltar para casa assim que a refeição acaba, sugiro você ir de metrô e fazer seu trajeto a pé, para que você possa aproveitar todos os ângulos e prolongar seu passeio. Se você já faz isso, te convido a deixar aqui nos comentários quais são seus restaurantes e lugares preferidos de lá. =)

Coloco abaixo os lugares que fizeram parte dos meus roteiros “turísticos” nesses últimos finais-de-semana (quem me segue no Insta @mandolinablog já teve um preview do que rolou!).

RINCONCITO PERUANO

Desde meus tempos que passei no Chile, dei uma viciada em comida peruana (lá tem muitos restaurantes típicos peruanos). Para falar a verdade, o prato de que menos sinto falta é o Ceviche. A comida peruana tem um fator confort food que o brasileiros se identificam bastante, e ela pode ser bem sofisticada também. 

O Rinconcito Peruano é um restaurante já muito famoso e bem-sucedido, com várias filiais. Fomos na matriz, que fica na rua Aurora. O atendimento é rápido, com preço justo e tempero autêntico. Só fiquei chateada pois não tinha meu querido Ají de Gallina. Voltarei mais vezes lá com a esperança de que coloquem no cardápio. =)

Começamos pela causa peruana de entrada. Purê de batatas enformado e temperado. Muito bom.

Começamos pela causa peruana de entrada. Purê de batatas enformado e temperado. Muito bom.

Leche de tigre. Até onde eu sei, o leche de tigre é o líquido temperado que sobra do Ceviche. O do Rinconcito é super incrementado, cheio de frutos do mar e o melhor acompanhamento do mundo para esse prato: os "milhos gigantes".

Leche de tigre. Até onde eu sei, o leche de tigre é o líquido temperado que sobra do Ceviche. O do Rinconcito é super incrementado, cheio de frutos do mar e o melhor acompanhamento do mundo para esse prato: os "milhos gigantes".

Arroz Chaufa de Mariscos. Esse eu nunca tinha comido antes. Bem farto e cheio de mariscos e frutos do mar. Aquele "mexidão" sem erro.

Arroz Chaufa de Mariscos. Esse eu nunca tinha comido antes. Bem farto e cheio de mariscos e frutos do mar. Aquele "mexidão" sem erro.

MERCADO MUNICIPAL

O mercadão dispensa apresentações.

O que me encanta em mercados são as cores, tudo arrumadinho e organizado nas barracas.

Além do famigerado sanduíche de mortadela e pastel de bacalhau, eu gosto mesmo do pastel de camarão, do bolinho de bacalhau, e de almoçar as amostras de frutas que os vendedores te dão lá.

Vale ir só para admirar e ficar inspirado.

Baguncinha revigorante.

Baguncinha revigorante.

Vôngoles!!!!!

Vôngoles!!!!!

Carla, minha amiga, quem criou o nome da sua loja tá de parabéns!!! hahahahaha

Carla, minha amiga, quem criou o nome da sua loja tá de parabéns!!! hahahahaha

Combinações que só os vendedores do mercadão fazem você você cair.

Combinações que só os vendedores do mercadão fazem você você cair.

Aquela hora que você pára e pensa: "Me vê um cartão de crédito que eu não tenha que pagar e um estômago sem fundo, por favor".

Aquela hora que você pára e pensa: "Me vê um cartão de crédito que eu não tenha que pagar e um estômago sem fundo, por favor".

ESFIHARIA EFFENDI

Tenho um fraco por comida árabe, e a Esfiharia Effendi tava no meu caderninho há um tempão. Do mercadão até esse restaurante é uma caminhada, mas vale a pena. A Effendi fica numa travessa da Rua São Caetano (a das noivas), e serve esfihas e outros pratos armênios feitos na hora num ambiente autêntico. Recomendo. E nesse exato momento to com vontade de repetir a Esfiha de Queijo com Basturma.

Detalhe da decoração da Effendi.

Detalhe da decoração da Effendi.

Combo básico: quibe cru e pastas com pão assado na hora.

Combo básico: quibe cru e pastas com pão assado na hora.

Esfia fechada de escarola, aberta de carne fechadas de carne e aberta com queijo e basturma (um embutido armênio forte mas muito bom).

Esfia fechada de escarola, aberta de carne fechadas de carne e aberta com queijo e basturma (um embutido armênio forte mas muito bom).

CASA MATHILDE

Cheguei à Casa Mathilde por indicação de uma amiga, que falou que lá tinha os melhores pastéis de nata do universo. E ela estava certa. A Casa Mathilde fica do lado da BM&F Bovespa.

Depois de uma tentativa frustrada de ir até lá, finalmente consegui comprovar que essa doceria portuguesa é fora da curva. Lotada e com um ambiente abafado por conta dos fornos, conseguir seus doces pode parecer uma odisséia. Mas até que não foi.

Com uma decoração linda que mistura o tradicional com o moderno, eles têm uma vitrine de doces que me fez ter uma crise de dúvida, rs.

No final peguei dois pastéis de nata e saí correndo. Não vou falar mais nada, você TEM que ir visitar.

Os pastéis de nata sendo feitos aos olhos do público.

Os pastéis de nata sendo feitos aos olhos do público.

Um dos doces da vitrine quilométrica da Casa Mathilde. Todos com uma cara ótima.

Um dos doces da vitrine quilométrica da Casa Mathilde. Todos com uma cara ótima.

A prova do crime.

A prova do crime.

E para encerrar o nosso post do Centro, deixo aqui uma paisagem para europeu nenhum botar defeito.

Vista do Shopping Light, ao lado do Theatro Municipal. Lindo.

Vista do Shopping Light, ao lado do Theatro Municipal. Lindo.

Quem bate?

Gente, o frio chegou.

Não sei onde você, leitor, mora, mas aqui pro sudeste estamos congelando! Eu AMO frio, mas confesso que estava esquecida de como é passar frio em São Paulo. Fazia tanto tempo que não tinha um frio de verdade que me dei conta que doei todos os meus casacos, e meu agasalho mais quentinho agora... não tem mangas, veja só que útil.

Aproveitando o “gancho” (me perdoem a expressão), vou dividir com vocês meu desejo máster de inverno: lámen.

Estou reparando que está um tal de abrir casa de lámens por aí. Sou fã cativa há alguns anos do Áska, e já experimentei o do Lamen Kazu, mas preciso conferir o motivo de tanto fervo (e fila) das novas casas dessa famosa e nutritiva sopa.

Lámen do querido Áska. E uma espiadinha do melhor guioza do mundo.

Lámen do querido Áska. E uma espiadinha do melhor guioza do mundo.

Se essa refeição deliciosa já tinha virado “moda” enquanto estávamos sob um calor escaldante – alguém consegue se lembrar que há dois meses no feriado de Tiradentes estávamos D-E-R-R-E-T-E-N-D-O? –, imagine agora.

Na minha última viagem a Nova York pude experimentar dois lámens novos e famosos: o Totto Ramen e o Momosan. Devo dizer que fizeram jus à fama e me fizeram voltar inspirada para dividir essa receita com vocês.

O ótimo lámen do descolado Momosan.

O ótimo lámen do descolado Momosan.

Essas vocês já viram: lámen do Totto Ramen. Mas é tão bom que vale a pena repetir.

Essas vocês já viram: lámen do Totto Ramen. Mas é tão bom que vale a pena repetir.

Caso você não tenha acesso, ou não esteja afim de encarar uma bela fila, siga a receita abaixo e seja feliz! As variações são inúmeras e a versão abaixo é apenas uma delas. Normalmente, um verdadeiro lámen é composto por três pilares: o caldo, o macarrão, e os acompanhamentos. O caldo geralmente é cozido por horas, mas quando estou em casa é mais fácil optar pela versão mais rápida.

Dá para fazer uma base de shoyu ou missô, usar como proteína carne de porco, frango ou ovo, e usar de topping o que sua imaginação permitir (e combinar), mas podemos mencionar broto de bambu, alga nori fatiada, cebolinha fatiada, ovo cozido no caldo, massa de peixe, omelete picada bem fininha, lombo de porco bem macio fatiado... Se estiver sem inspirações, é ó buscar no Insta e terá uma bíblia de Lámens! Bom apetite (se estiver se sentindo típico, quando mais barulho ao tomar a sopa, melhor!).

LÁMEN (para 5 porções)

Caldo:

  • 6 xícaras de água
  • 4 colheres de sopa de pasta de missô
  • 1 envelope de caldo para hondashi

Lámen:

  • 500 g de macarrão para lámen (sempre pode adicionar mais se quiser)
  • ½ pacote de broto de feijão – Moyashi
  • 1 pacote de broto de bambu em conserva - Takenoko
  • 1 pacote de massa de peixe em fatias – Chikuwa
  • 1 pacote de massa de peixe fatiada rosa – Naruto
  • 1 maço de cebolinha fatiada
  • 1 omelete simples feito com 2 ovos batidos e sal. Fazer em uma frigideira bem grande e bem untada, e escorra de maneira a ficar bem fininha. Depois de desligar e esfriar, fatiar bem fino.
  • 1 pacote de alga nori fatiada.

Modo de preparo:

Faça um omelete bem fino em uma frigideira bem grande e deixe esfriar. Depois de esfriar, fatie bem fininho e reserve. Fatie o broto de bambu, reserve. Separe e lave os brotos de feijão. Lave e fatie a cebolinha bem fino. Deixe tudo em potinhos separados.

Caldo: Dissolva a pasta de missô e o hondashi em água fervendo e faça o caldo. Experimente. Se estiver muito salgado acrescente mais meia xícara de água fervente até ficar bom. Nesse caldo, cozinhe as fatias de massa de peixe, retire e reserve.

Em uma outra panela, ferva cinco litros de água (não o caldo) para cozinhar o macarrão. Depois de ferver a água, adicione o macarrão e mexa constantemente para não grudar. Cozinhe até ficar al dente. Escorra a água do macarrão.

Monte os lámens: adicione o caldo, acomode uma boa porção de macarrão ao fundo. Por cima, de uma maneira bem decorativa, coloque bocados dos ingredientes (broto de feijão, broto de bambu, omelete fatiado, massa de peixe branca, massa de peixe rosa e por cima a alga e a cebolinha fatiadas) até completar a parte de cima. Monte rápido para não esfriar o lámen. Sirva muito quente. Bom apetite!

Nosso homemade lámen feito especialmente pelo namorado. Uma delícia!

Nosso homemade lámen feito especialmente pelo namorado. Uma delícia!

Hambúrguer & the City

Durante uma viagem e mesmo depois dela, a sensação de euforia demora a passar para mim. Parece que fui transportada para outra dimensão de espaço e tempo, onde tudo fica muito mais denso e memorável.

Foi o que aconteceu comigo nessa última semana. Além, é claro, do fato de eu falhar miseravelmente nesse malabarismo de blog + viagem + trabalho + vida. Como diz o meu namorado, as bolinhas todas têm que ficar no ar, mas alguma sempre estará abaixo das outras enquanto você estiver fazendo malabares.

Para compensar a ausência, aqui estou com a parte II do meu post sobre Nova York. Há muitos outros lugares que eu gostaria de compartilhar, mas vou falar de um assunto elementar: hambúrgueres.

Toda semana aparece o hambúrguer “da vez”. Tem sempre o mais descolado, o mais autêntico, o mais tradicional. Mas fiz uma seleção meio randômica de somente cinco lugares, com base em um único critério: meu gosto :).

Depois de muito experimentar, posso dizer que dois tipos são os meus preferidos: o pão + carne ao ponto (às vezes com uma maionese à parte) porque gosto de sentir o sabor da carne. E o hambúrguer americano consagrado: pão, american cheese, picles, cebola, ketchup, mostarda e a carne (ou com the Works, como alguns falam).

Aqui vou falar de alguns que são famosos e outros que eu gosto. Ah, e apesar desse roteiro “me ser” muito querido, a seleção de fotos deixa a desejar. Algumas são da época pré-blog, mas tentei mais registrar o momento do que o hambúrguer em si, ok? Espero que me perdoem rsrs. Aqui vai, sem ordem de preferência:

Five Guys: o Five Guys foi o primeiro hambúrguer que experimentei em solo americano. Apesar de essa matéria ser sobre NY, conheci o Five Guys em Miami, na Washington Avenue. De verdade foi o melhor que comi na vida, e já devo ter falado isso para todos que conheço, repetidamente, hahahaha. O chapeiro de lá tem o dom. Mas depois comi Five Guys em Orlando, NY e Kelowna, no Canadá, e posso atestar que os outros são bons também. De qualquer forma, eles servem hambúrguer sem frescura, num ambiente simples e não tem cardápio pré-sugerido. Você chega no caixa e monta sua própria receita. Eles têm refri de refil, e amendoim de graça para você esperar durante o curto tempo em que o sanduíche fica pronto. Eles servem em um papel alumínio que ajuda a conservar o sanduíche quente e suculento. Vale muito conhecer. Fora que a batata frita é sensacional demais, minha batata frita favorita.

O Five Guys com seu hambúrguer sem frescura e a melhor batata frita (para mim).

O Five Guys com seu hambúrguer sem frescura e a melhor batata frita (para mim).

Shake Shack: não duvido nada que dentro de alguns meses um Shake Shack desembarque por aqui no Brasil, tamanha a fama que ele está alcançando. Conheci o Shake Shack de nome porque sua fila estava mais famosa que seu hambúrguer. Mas justiça seja feita: o hambúrguer deles é muito, muito gostoso e mais ainda são os concretes, sobremesas feita com custard, um sorvete de baunilha, sempre misturados com algum bolo ou algo assim. Delícia, gordice pura. Já tive a oportunidade de experimentar em Boston e Miami, e o padrão bom continua. Os cardápios variam um pouco de unidade para unidade, mas já experimentei o cheeseburger, o smoked shack, o hot dog, as batatas fritas com e sem queijo. O ambiente é super descolado (servem até comida para o seu pet de estimação), mas dependendo de onde você vai pode ser difícil arranjar um lugar para sentar.

Foto: Mandolina Blog

Foto: Mandolina Blog

The Spotted Pig: o Spotted Pig é um lugar para pessoas descoladas, de vanguarda. Fui com meus queridos amigos que moram lá após uma visita ao MET. Chegando lá, encaramos bravamente uma fila de mais de duas horas, mas demos sorte porque pudemos ficar no bar bebendo e comendo aperitivos. Era um lugar bem típico, com uma hostess bem blasè, mas tudo fazia parte do programa, sabe? Chegando lá, dentre as muitas opções, pedi um hambúrguer que estava uma delícia. Mas, me lembro até hoje das batatas. Fininhas, temperadas, super diferentes. Não é uma lanchonete, é um restaurante para os descolados locais. Então, além de ser bom para comer, é bom para olhar a população local (outra coisa que curto muito).

Hambúrguer do descolado The Spotted Pig.

Hambúrguer do descolado The Spotted Pig.

P.J. Clarkes: conheci esse endereço tão famoso somente nessa última vez que visitei NY. O P.J. já tem uma unidade no Brasil que ainda não fui (sempre quis conhecer primeiro a unidade de lá). Já era tarde, estava muito cansada, estava fazendo frio e o restaurante ficava perto do meu hotel. Olhando aquele lugar tão icônico de longe, pensei “P.J., não me decepcione”. E não me decepcionei! Adoro entrar um lugar e me deparar com muitos nativos, falando sobre suas vidas, contando do seu dia aos amigos. E lá era tudo o que eu esperava e mais. O ambiente é super escuro e ao mesmo tempo aconchegante. Por ser uma sexta à noite, estava lotado. Sentei em uma das mesinhas na parte do restaurante, pedi uma cerveja, um hambúrguer com queijo, picles e salada, que estava muito bom por sinal. A carne estava super suculenta, o que me fez comer o sanduíche com talheres. Mas o que me chamou a atenção foi a batata-frita. Incrível! Super crocante e macia ao mesmo tempo, salgada no ponto certo... surpreendente. (acho que deu pra perceber que estou numa fase de batatas fritas, né?). E para finalizar aquela que era a comemoração de uma semana incrível, pedi um cheesecake de blueberry feito como manda a cartilha, nem doce demais, nem salgado demais, com uma base perfeita e uma calda feita com blueberries de verdade. Com certeza vale a visita.

Burger Joint: fui no Burger Joint por indicação de amigos, que me contaram sobre um lugar muquifento escondido no meio de um hotel super chique de Manhattan. E o lugar é escondido mesmo, hein? É bem legal, mas confesso que ainda estou na dúvida se justifica trazer um para o Brasil. Para ser bem sincera, ainda não experimentei a unidade brasileira, e espero que eles consigam repetir o charme da unidade nova-iorquina. Bem, vamos lá: ao perguntar para o segurança onde ficava, descobri a lanchonete com cara underground não muito amigável. Eles não aceitavam cartão, somente dinheiro e já avisavam desde a porta que era melhor você nem gaguejar ao pedir sua comida, ou você estava fora da fila. Se fosse para escolher, que escolhesse sem atrapalhar as outras pessoas. Como era um lugar abafado, resolvi comer na parte de fora, o que facilitou as fotos. Batata frita absolutamente nada especial, mas o hambúrguer era bom. Gostoso, bem típico, mas nada fora do comum. Se tiver a chance, vá e veja com seus próprios olhos. (Foto do hamburguer por Site Burger Joint NYC)

E assim encerramos a temporada nova-iorquina da vez. Mas voltar para o Brasil também é bom demais... fiquei apenas uma semana fora e quando voltei tava doida para comer arroz, tomar nosso café e comer pão com requeijão!

Assim que é bom, comer o mais gostoso de cada lugar que a gente vai.

Estava com saudades de escrever aqui :)

Beijos.

Quando estamos de férias

Hoje o blog completa um mês (êêê). E por uma sorte incrível do destino, agora estou escrevendo de NY, a minha paixão em forma de cidade.

Meu lugar favorito em NY: o Bryant Park e logo atrás a Biblioteca. :)

Meu lugar favorito em NY: o Bryant Park e logo atrás a Biblioteca. :)

Aproveito para filosofar um pouquinho.

Eu sou uma pessoa que preza pela qualidade da comida, de onde ela veio, acho muito melhor preparar do que comprar, escolher os produtos e etc.

Tudo lindo.

Só que quando eu entro em férias, tem um alter ego meu que se manifesta (#aloca) que só quer saber de porcaria, rsrs. Que só quer saber de comer o que está com vontade, mesmo que essa vontade seja completamente irresponsável, nada orgânica, imperialista. Só como o que me deixa feliz naquele momento :).

Claro que se eu pudesse, principalmente em uma cidade como NY, eu encheria minha agenda de restaurantes estrelados. Mas como estou viajando sozinha, e assim como vim da última vez, eu me deixo permitir. Não tenho problema nenhum em viajar sozinha, muito menos comer sozinha, mas tem algo em restaurantes especiais que me dão vontade de compartilhá-los. Os momentos muito especiais ficam ainda mais legais divididos. Então, aproveito para fazer um rolê porcaria gastando menos (porque não tá fácil pra ninguém, né não?).

Vamos por umas regras: já que é para comer porcaria, então que faça direito. Assistiu a um filme e ficou com vontade de ir naquele lugar? Anote, para não esquecer depois. Faça um roteiro junk-food, compare as montagens de hambúrgueres, preço, ponto da carne, entrega do produto. Faça um negócio profissa. E coma somente o que está com muuuuita vontade. Por exemplo: na primeira vez que fui na Grand Central Station, comi um famoso cupcake da Magnolia Bakery. Tava tão maravilhoso... estava há anos esperando por aquele momento, estava com vontade de comer doce, então foi um sucesso. Já ontem, voltando pro hotel, parei e comprei um cupcake “só porque estava ali”, e foi meio decepcionante. Nada especial. E acho que isso tirou um pouquinho do brilho da coisa. Se você come algo sem estar com muita vontade, vai acabar empanturrado e arrependido.

Então, já que é para enfiar o pé na jaca, vou dividir aqui com vocês meu roteiro de favoritos na cidade. Fiquem à vontade para dividir os de vocês, seja em NY ou em qualquer outro lugar do mundo.

Eis meu roteiro nada estrelado. Sem julgamentos, hein gente!

Pret a Manger:

Eu ainda não tinha tomado o café para tirar a foto, o sanduíche de ponta-cabeça, rs.

Eu ainda não tinha tomado o café para tirar a foto, o sanduíche de ponta-cabeça, rs.

O Pret a Manger é uma rede inglesa muito simpática espalhada pela cidade. Eles fazem a comida no dia, o cardápio sempre varia e fica disposto em geladerias. É muito prático para pegar alguma coisa e sair por aí, ou sentar em mesinhas e comer tranquilo. Sempre que dá eu tomo café da manhã lá, principalmente porque tem coisas com avocado (eu amo avocado, depois da minha temporada no Chile, e no Brasil nunca tem suficiente) e porque tem várias coisas com frutas vermelhas. Não é das mais baratas, mas é orgânica e as coisas são gostosas. Sanduíches, saladas, sucos, frutas picadinhas, sem glúten, sem lactose...

 

Chipotle:

Queria experimentar fazia tempo, e provei no Canadá. Achei ótimo e correspondeu as minhas expectativas depois de ler tanto sobre a “próxima rede de fast-food que vai acabar com o McDonalds”. Não sei se é para tudo isso, mas, que é muito gostoso, é. Você monta seu próprio burrito/taco, ou pode comer no prato. Parece que não é muito, mas equivale a uma refeição. O preço é OK, mas não é a refeição mais barata.

Burrito by Chipotle. Sabor tacatudodentro.

Burrito by Chipotle. Sabor tacatudodentro.

Gray’s Papaya:

Hot dog que fica no Upper West Side, que é barato mesmo e é BOM. Ele já apareceu no filme Plano B com a Jennifer Lopez e no Sex and The City. Peça o Special Recession, que vem com dois hot dogs e um suco de papaia meio estranho mas que combina muito. Fora que o chilli de lá é o mais gostoso que já provei, lembra um pouco aquele molho de tomate de dogão de trailer, sabe? (Sabe siiiiiim, não negue, hahaha). Fica na Broadway com a 72.

Special Recession com o melhor molhinho de tomate com chilli e cebola da vida.

Special Recession com o melhor molhinho de tomate com chilli e cebola da vida.

Halal Guys:

Quem vai para Nova York repara que em toda bendita santa esquina tem um carrinho com essa comida Halal, do Oriente Médio. Até aí, nenhuma novidade. Mas, quando estava viajando com minha família, toda vez passávamos na esquina da Sexta Avenida com a 53rd, e tinha um The Halal Guys com uma fila enoooooorme, 24 horas por dia. Em cima tinha uma placa We Are Different (Somos Diferentes). Até que um dia eu e o meu pai fomos, entramos na fila e provamos. Resultado: uma marmita viciante. Embaixo vem um arroz temperado amarelo, molhinho de tahine com alho por cima, alface picadinha e você pode escolher entre carne de cordeiro picadinha ou frango desfiado temperado. Não pareceu muito apetitoso? Era, e muito! Depois de 40 dias comendo porcaria, poder comer aquela marmita temperada e que lembrava um pouco da nossa comidinha caseira fez cair uma lágrima de emoção. Vale a fila.

Estreando a marmita do Halal Guys (dá para ver que eu aprecio gororobas, né?). Foto da Giulia Cervetto.

Estreando a marmita do Halal Guys (dá para ver que eu aprecio gororobas, né?). Foto da Giulia Cervetto.

Fila indefectível do the Halal Guys. Mas só esse é o que faz sucesso.

Fila indefectível do the Halal Guys. Mas só esse é o que faz sucesso.

Jing Fong:

Alguns dos Dim Sum que eu experimentei naquele dia. Até hoje não sei do que eram, mas estavam deliciosos! :)

Alguns dos Dim Sum que eu experimentei naquele dia. Até hoje não sei do que eram, mas estavam deliciosos! :)

Fiquei com vontade de provar desde que assisti ao filme O Melhor Amigo da Noiva (note que o bom gosto acompanha nos filmes também, hahaha). Fica no meio de Chinatown, um restaurante espalhafatoso de Dim Sum que passa em carrinhos e que faz muito sucesso. Quando fui, foi uma aventura, pois não me entendia muito bem com as pessoas e só sabia de cor alguns nomes (sticky rice, pork siu mai), e para piorar estava sozinha. Apontei para alguns Dim Sum e todos estavam uma delícia.

Mas é obrigatório ir com mais pessoas, assim você pode experimentar o máximo que der. Vale muito a pena, e era super barato. Dica: coloque a hashtag #JingFong no Instagram, e assim você pode ter umas dicas dos pratos com as fotos. Foi assim que me localizei. Fica na Elizabeth St.

Totto Ramen:

Um minuto de silêncio para o lámen do Totto Ramen.

Um minuto de silêncio para o lámen do Totto Ramen.

Tem algumas vezes que sinto uma vontade doida de comer lámen. Ontem eu estava meio baqueada pelo vôo, e com um frio inesperado aqui em NY. Já tinha ouvido falar desse Totto Ramen, ele estava perto do meu hotel e ainda dei uma checada no Yelp (um aplicativo muitíssimo útil para viajar em cidades como NY) para garantir. Ele fica na 52. Ele é um lugar pequeno, que geralmente junta fila, mas uma fila que anda rápido.

O lámen é uma delícia e bem-feito. Pedi o Paitan Ramen com porco. Adicionei broto de bambu e foi a melhor decisão que tomei na vida. A fila é rápida, e o lugar é sem chorumelas: comeu, vazou. Preço justíssimo. Ganhou um lugar no meu coração do lado do Áska.

E vocês? Têm um roteiro indefectível? Na minha lista faltaram vários, mas decidi que eles ficarão para o post II. Voltaremos logo menos, com mais novidades no nosso roteiro proletário - com algumas coisinhas mais sofisticadas, mas igualmente deliciosas :).

Nada como viajar né?