Viajar sozinha

"Chuva e sol
Poeira e carvão
Longe de casa
Sigo o roteiro
Mais uma estação
E a alegria no coração"

Luiz Gonzaga, A Vida do Viajante.

Acabo de voltar de uma viagem de um mês por aí afora. Visitei Londres, Vancouver e Orlando. Apesar de ter me juntado a pessoas nas cidades que visitei, a primeira parte da viagem foi completamente sozinha e algumas das outras também.

Quando digo que vou sozinha, a surpresa é geral:

“Sozinha?”

“Vai com quem? SOZINHA?”

“Mas sozinha?”

“Que coragem! Sozinha?”

“É louca? Sem ninguém?”

Sim, sozinha! Respondo. Tá tudo bem, gente. Não, não tenho depressão. Não é que ninguém quis ir comigo. Apenas estou com a agenda livre, comprei a passagem e fui. Até chamo algumas pessoas para ir comigo, mas se não dá, o plano continua de pé.

Viajar sozinha é uma delícia, gente. Para a mulherada que é mãe, esposa, filha, trabalhadora então, é uma benção divina. Me digam mães, qual foi a última vez que comeram o que queriam (ou não comeram), a hora que queriam, do jeito que queriam?

Quando você está sozinha, você se reconecta consigo mesma. Relembra do que gosta, do que te inspira, resolve questões que estão lá há bastante tempo fermentando no fundo da consciência.

Pro bem e pro mal, viajar sozinha pode trazer epifanias, resoluções, e de bônus, trazer descobertas de lugares interessantes. Trazer paixões em forma de cidades.

E olha que sou uma viajante novata. Nem viajei tanto ainda e já descobri tudo isso.

A primeira vez eu viajei sozinha foi de ônibus, da minha cidade do interior para São Paulo. Eu lembro até hoje dessa viagem. Eu estava há muito tempo entediada. Queria ir para a Bienal do Livro em São Paulo, mas ninguém da minha sala da escola queria ir comigo. A visita só seria viável se eu fosse com a escola, pois ir com meus pais deixaria a logística impossível.

Não deu.

Fiquei possessa. Fiquei tão indignada que meus pais tentaram arranjar uma visita a São Paulo, porque notaram que eu estava muito entediada mesmo e merecia sair daquela cidadezinha por um fim de semana que fosse. Ligaram para os meus avós, que moravam perto de São Paulo:

“Aceitam sua neta por um fim de semana? Sim? Ótimo. Estamos colocando ela no ônibus e vocês pegam ela no meio da Castelo Branco.”

E foi assim. A estadia em si foi totalmente assistida pelos meus avós. Mas foi a primeira vez que fiz uma viagem maior sozinha. Eu só tinha que descer no lugar certo da estrada, e mesmo assim, aquela foi uma experiência divisora de águas. E quando a gente é mais novo, a gente fica fissurado com cada coisa né? O ônibus em questão parava no Rodoserv (quem pega a rodovia Castelo Branco sabe de que posto estou falando). E na época, o Rodoserv servia salgados, pastéis fritos na hora e sanduíches lindos super recheados feitos em baguette. E como todo posto de estrada, era caro. Meu sonho era comer um sanduíche daqueles, mas eu não queria gastar minha mesada numa refeição super faturada. E depois dessa viagem e por algum tempo, sinônimo de sucesso na profissão seria quando eu pudesse comprar quantos sanduíches de baguette do Rodoserv que quisesse, hahahaha.

Bom, hoje posso dizer que devo ter comprado alguns daqueles sanduíches, embora o Rodoserv não seja mais o mesmo posto e eles não sirvam mais esses sanduíches por lá.

Memórias à parte, toda pessoa que se surpreende com o fato de eu estar viajando sozinha, eu encorajo para que ela faça o mesmo.

Viajar sozinho pode ser assustador por diversos motivos: talvez você nunca tenha pego um voo internacional sem ninguém, talvez você não saiba falar a língua do país de destino ou simplesmente você não tem o costume de fazer coisas sozinho.

Hoje posso dizer com alívio que o mundo está se tornando um lugar preparado para receber viajantes solo. Mas tenho algumas dicas que me ajudaram a driblar o nervosismo:

1)     Investir em um chip de internet quando chega no local: essa dica eu considero ainda mais importante do que planejar a viagem antes de chegar ao destino. Internet dá segurança e ter uma linha local faz com que você se sinta seguro. Se der algo errado, você liga para alguém. Pelo celular você encontra caminhos, vê avaliações de lugares, fala com familiares, sobe vídeos no Instagram, chama táxi, pede dicas a conhecidos e estranhos. Não tem coisa que mais me dê segurança do que saber que se eu me machucar, posso chamar o seguro saúde na hora. Tem quem diga que é caro, ou que é excesso de cuidado. Mas não posso nem dizer o número de vezes que me senti extremamente aliviada por ter pacotes de dados no meu celular, e não é só pelo fato de poder me conectar às redes sociais. Normalmente esse chips são vendidos no aeroporto logo depois do desembarque.

2)     Se hospedar em um bairro familiar e seguro. Hostel, AirBnb ou hotel, você escolhe como gosta de ficar. Mas, como viajante, prefiro ficar em um lugar seguro e economizar nos almoços do que ao contrário. Pode parecer uma dica óbvia, mas vejo mais gente se atentando ao fato do hotel ser luxuoso do que se os arredores são seguros. Eu sempre escolho um bairro mais familiar do que boêmio, e sempre perto de um metrô ou transporte público. Isso dá independência e auto-confiança para andar sozinha. É só fazer uma pesquisa no Google antes de reservar sua acomodação.

3)     Dar preferência a um certo tipo de cidade. Como eu disse acima, ainda estou no começo das minhas andanças alone. Por isso, me adaptei muito bem a um certo estilo de cidade: plana para eu andar bastante sem me cansar, com metrô acessível e com muitas opções culturais tipo museu, e muitos parques. Por exemplo: Nova York para mim é a melhor cidade para visitar sozinha. Já Orlando, eu não recomendo. Eu adoro visitar Orlando, mas lá é o tipo de cidade que você só se desloca se for de carro, tem parques de diversão, as refeições são em super size. Eu adoro contemplar um quadro sozinha, mas ir em um parque de diversões e não ter ninguém para compartilhar as risadas é uma tarefa hardcore para iniciantes. Até o mais descolado dos viajantes solo pode ficar meio deprê ao viajar sozinho para uma cidade tão familiar. Fuja.

4)     Google Maps será seu melhor amigo antes e durante a viagem: antes de reservar o hotel, de uma olhadinha na versão 3D do Google Maps para ver se a rua é bonita, e se hotel tem a mesma fachada do que a foto de divulgação. Eu já desisti de ficar em diversos hotéis porque no Google ele tira uma cara bem creepy e porque a rua era muito deserta. Excesso de segurança nunca fez mal a ninguém.

5)     Faça um roteiro, mas não muito rígido: a vantagem de você viajar sozinha é poder fazer o que te der na telha. O que eu faço são: dentre os meus interesses, pesquiso com antecedência o que eu quero fazer. Por exemplo, se eu quero assistir uma ópera, vejo se é temporada ou não, e se for o caso, já compro ingressos com antecedência. Ou se quero fazer uma viagem de trem, às vezes esse trem só parte às segundas-feiras. Esse tipo de coisa. Também costumo planejar meus dias de acordo com bairros. Se estou em Nova York, posso fazer segunda-feira Midtown. Terça-feira, Brooklyn e por aí vai.

E você, já se aventurou sozinho por aí? Quais são os lugares que você mais gosta de ver sozinho?

Beijos,

 A única desvantagem de viajar sozinha, é que se você odeia selfie como eu, suas fotos vão ser sempre assim! Sem você, rs. London Eye, na minha viagem mês passado para Londres. Foto: Mandolina Blog.

A única desvantagem de viajar sozinha, é que se você odeia selfie como eu, suas fotos vão ser sempre assim! Sem você, rs. London Eye, na minha viagem mês passado para Londres. Foto: Mandolina Blog.

La Poule Au Pot

Na França, faça como os franceses. Era isso que pensava quando fui visitar o país. Depois de muitos anos sendo fã da culinária francesa, queria experimentar o que havia de mais típico: terrine de campagna, moules et frites, (que na realidade é belga, mas eu acho super francês 😊) boeuf bourguignon, tarte tatin, creme bruléé. Os famigerados clássicos.

Qual não foi minha decepção quando, ao ler inúmeros menus dos cafés por onde andava, via algumas opções que passavam longe dos clássicos, e ainda mais longe da cozinha local. Tudo bem que agora entendo um pouco a perspectiva deles, afinal de contas, tudo tem que evoluir, correto? Mas não pude deixar de ficar um pouco frustrada ao ver um cardápio padrão em muitos cafés: todos incluíam salmão defumado, avocado, sushi e hambúrguer, entre o indefectível steak tartar e sopa de cebola gratinada.

Bom, era uma sexta-feira e eu havia acabado de visitar tanto o Museu D’Orsay quanto o Museu do Louvre. Havia dado check em dois dos meus maiores sonhos turísticos e eu queria uma celebração de acordo. Por conta do café da manhã reforçado, não havíamos almoçado e eu não queria de jeito nenhum gastar minhas calorias francesas com algo que não valesse a pena.

Então, veio o Trip Advisor para ajudar. Quando estou sem roteiro gastronômico, utilizo muito o aplicativo para ver quais são as melhores opções num raio acessível. Depois de muito fuçar, algo no La Poule ao Pot deu “match” com minha fome 😊.

O restaurante funciona das 19:00 até as 5 da manhã. Tivemos que dar uma enrolada e esperar o restaurante abrir (turistas, rs). Estava com uma fome que me deixou muito mal-humorada, mas o serviço era extremamente simpático e a comida, melhor ainda.

Sentamos com frio e molhadas de chuva e pedimos uma entrada de cogumelos girolles refogados no alho e óleo. Estava simplesmente divino. A França tem uma capacidade de consumir e identificar os melhores cogumelos, e a textura e o sabor desses ainda estão frescos na minha memória.

 Cogumelos girolles. Foto: Mandolina Blog.

Cogumelos girolles. Foto: Mandolina Blog.

Pedimos meia garrafa de tinto para acompanhar. Eu, ao verificar o aplicativo, já vim “brifada” do prato que queria pedir: uma versão do “La Poule ao Pot”. A aparência não favorece muito, pois se trata de meio frango fervido, o que dá uma cara meio desbotada para o pobre galeto. Mas eu sou uma pessoa que não se deixa enganar pelas aparências, e foi um dos pratos mais saborosos da viagem inteira. Minha mãe pediu um prato do menu do dia: peito de pato com uvas e uma espécie de alho-poró. Estava divino.

 Minha pedida do La Poule au Pot. Foto: Mandolina Blog.

Minha pedida do La Poule au Pot. Foto: Mandolina Blog.

 Peito de pato com uvas e alho-poró. Foto: Mandolina Blog.

Peito de pato com uvas e alho-poró. Foto: Mandolina Blog.

Como não estávamos para brincadeira, eu pedi uma tarte tatin flambada com calvados e minha mãe pediu o que deve ser o melhor creme brullée que eu já provei na vida. A emoção foi tanta que não tiramos fotos.

 Esse é um screen shot do insta stories do mandolina. Segue lá: @mandolinablog

Esse é um screen shot do insta stories do mandolina. Segue lá: @mandolinablog

Junto com o café, ganhamos um licor de cerejas com as cerejas juntos. A conta veio alta, mas a experiência foi tão boa e o serviço tão amistoso que o restaurante ganhou prêmio por melhor conjunto da obra de toda a viagem (ganhou até do Alain Ducasse). Ele pode não ser o restaurante mais estrelado de Paris, mas correspondeu a tudo que eu esperava de um café francês e mais um pouco.

Super recomendo!

LA POULE AU POT: 9 Rue Vauvilliers, 75001 Paris, França.

We'll always have Paris

"If you are lucky enough to have lived in Paris as a young man, then wherever you go for the rest of your life it stays with you, for Paris is a moveable feast*"

Ernest Hemingway, Paris é Uma Festa.

Depois de alguns meses sem escrever apropriadamente no meu querido Mandolina, aqui estou novamente. Foram necessárias inúmeras mudanças, uma viagem internacional e um computador novo para me trazerem de volta. As canetas e os cadernos que trouxe da viagem ficaram me olhando por muito tempo, julgando minha procrastinação e minha falta de coragem.

Bem, o novo capítulo do meu blog se trata da realização de um sonho de vida inteira: ir à Paris. E como não é todo dia que realizamos tal sonho, vou repartir em capítulos essa que foi uma das viagens mais sonhadas e cheia de significado da minha vida.

Depois de muitas taças de vinho, centenas de quilômetros percorridos a pé e vários potesde mostarda de Dijon depois, eis o primeiro capítulo da jornada.

 InstaStories: @mandolinablog

InstaStories: @mandolinablog

As motivações que me levaram até lá são óbvias: comida e cultura. Queria ver museu até matar a vontade e comer tudo o que eu quisesse. Não consegui fazer o meu cardápio completo, mas experimentei muitas coisas inesquecíveis.

Antes de viajar houve toda uma preparação: li “Paris é uma Festa” (que estava pela metade há um tempão) e assisti filmes como “Meia-Noite em Paris”. Foi uma boa ideia, pois ao chegar lá ficava emocionada de ver os lugares dos livros.

Uma coisa que me deixou um pouco (como diria minha mãe) catatônica, é que os franceses têm um savoir-faire incrível. A cada atravessada de rua, não víamos uma loja qualquer: era A loja de mostardas, A loja de tintas de parede, A loja de perfume, A loja de chás. Eles não brincam em serviço. Comecei a fazer piada que só entrava em lugares que tinham sido inaugurados antes de 1900, senão não queria nem saber. “Ah, 1940? Novatos”. E não tenho a esperança de que nós jamais cheguemos aos pés deles nesse quesito. Não quero soar arrogante, não se trata de idealizar ou reverenciar a cultura alheia (como tanto vemos por aí) mas acho que nós tínhamos que levar a nossa história tão a sério quanto eles levam.

Eles são solenes. Em cada esquina há uma plaquinha homenageando algo ou alguém, algum acontecimento impactante na vida dos franceses, nem que seja uma enchente. E nós? Ainda estamos aprendendo. E mais provavelmente apagaremos os vestígios de qualquer tragédia assim que possível.

Estar lá me surpreendeu de diversas maneiras: absolutamente todas as pessoas sabiam falar inglês perfeitamente, foram extremamente amáveis e solícitas (ao contrário do que dizem que atendentes franceses sejam de uma forma geral, rudes). Outra coisa: Paris é ainda mais bonita do que os meus sonhos. Dei uma sorte de ficar em um bairro incrível (nos arredores do Jardim de Luxemburgo, no 6º arrondissement) e não conseguia andar pela rua sem ficar admirando tudo.

Bom, por enquanto é isso. Aguardem os próximos capítulos da minha descoberta desse lugar MARAVILHOSO!

Beijos,

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Mica

Pinheiros é um dos bairros que ando frequentando mais por conta das novidades. O Goose Island, o Pitico e outros são lugares que temos ido por conta do ambiente diferente.

Um dia, caminhando em direção ao Pitico pois estava com vontade de comer falafel, passamos por uma “porta” que dava para um ambiente muito legal. Gostei imediatamente e fiz meu namorado prometer que logo em breve iríamos lá.

Mas esse foi um dos restaurantes que tive que anotar no meu caderninho para não esquecer, pois não se trata de uma escolha óbvia. No primeiro domingo que fez sol depois do dilúvio, fomos lá. Tem que chegar cedo, pois o lugar não é grande e o serviço vai ficando mais confuso a medida que o local vai enchendo.

A proposta do restaurante caiu como uma luva para nós. Somos fãs de comida oriental e queríamos muito um lugar que servisse várias porções para comermos com gohan. E a proposta do Mica é justamente essa. Diversas porções a 14 reais, todas com uma pegada oriental, para você comer enquanto toma algum drink, acompanhado de uma porção de arroz.

Abaixo algumas fotos do que provamos. Descrições nas legendas.

 Couve de Bruxelas com um toque azedinho que não conseguimos chegar a conclusão do que seria. Muito gostoso.

Couve de Bruxelas com um toque azedinho que não conseguimos chegar a conclusão do que seria. Muito gostoso.

 Conserva de berinjela. Tem um gostinho de shoyu com cebolinha. Esse foi o hors-concours da tarde! Uma delícia, delícia, delícia. Note que apesar da porção custar "apenas" 14 reais, ela é pequena. No final acabamos percebendo isso. 

Conserva de berinjela. Tem um gostinho de shoyu com cebolinha. Esse foi o hors-concours da tarde! Uma delícia, delícia, delícia. Note que apesar da porção custar "apenas" 14 reais, ela é pequena. No final acabamos percebendo isso. 

 Quiabo com manteiga de missô. O quiabo é muito gostoso por si só, porém não notamos quase nada de missô. Lá no fundo, o indefectível potinho de gohan que nos seguiu por toda a refeição.

Quiabo com manteiga de missô. O quiabo é muito gostoso por si só, porém não notamos quase nada de missô. Lá no fundo, o indefectível potinho de gohan que nos seguiu por toda a refeição.

 Charutinho de porco. Esse foi o que a gente tinha a expectativa mais alta, mas que acabou não sendo correspondida. O interior é carne de porco moída, o que comprometeu um pouco a textura. De qualquer jeito, gostoso.

Charutinho de porco. Esse foi o que a gente tinha a expectativa mais alta, mas que acabou não sendo correspondida. O interior é carne de porco moída, o que comprometeu um pouco a textura. De qualquer jeito, gostoso.

 Guioza de mexilhão. Esse não valeu muito a pena, pois a gente sempre espera que tenha aquele gostão de frutos do mar. Não foi o caso. E fora que aconteceu um fato que ocorre com muita freqüência em outros restaurantes também: ao cozinhar no vapor, não checam se a massa está cozida antes de servir. Esse guioza veio com a massa um pouco crua.

Guioza de mexilhão. Esse não valeu muito a pena, pois a gente sempre espera que tenha aquele gostão de frutos do mar. Não foi o caso. E fora que aconteceu um fato que ocorre com muita freqüência em outros restaurantes também: ao cozinhar no vapor, não checam se a massa está cozida antes de servir. Esse guioza veio com a massa um pouco crua.

Ficamos de voltar para fazer a outra metade do cardápio. Mas se tenho uma dica para dar por enquanto é: escolha os pratos de vegetais, uma boa companhia e fique lá por horas batendo papo :).

MICA: R. Guaicuí, 33 - Pinheiros, São Paulo. Aberto de terça à domingo, do 12:00 às 00:00.

Ícones cariocas

"E como vai você?
Assim como eu
Uma pessoa comum
Um filho de Deus
(...)

Não quero luxo, nem lixo
Meu sonho é ser imortal
Meu amor!"

Rita Lee - Nem Luxo, Nem Lixo

Voltamos à programação normal!

Findas as Olimpíadas, cá estou novamente. Confesso que ainda não estou 100% recuperada das minhas andanças cariocas (que foram mais trabalho que turismo, devo dizer). Fora a mala a ser desfeita que ficou dias me olhando, estou com uma gripe olímpica de herança que me deixou meio de molho esses dias.

Estou com saudades da paisagem do Rio, e agora já estou fazendo planos para voltar para explorar as terras cariocas. Meu caderninho já ganhou muitos lugares novos para eu visitar.

Apesar de ter passado vários dias lá, somente alguns restaurantes que visitei me fizeram ter vontade de escrever aqui. Muitas vezes comíamos aonde dava, sem prestar atenção no que estávamos comendo, apenas contando os minutos para chegar no hotel. Mas o destino de vez em quando dava uma brechinha, e eu pude visitar dois lugares que estavam na minha wishlist há um tempão. Veja abaixo:

CONFEITARIA COLOMBO

Essa linda confeitaria me chamava atenção toda vez que via um post no Insta ou em alguma revista. A unidade original foi fundada em 1894 e fica no centro do Rio, perto da Candelária. Localizada em uma rua estreita, fica fácil de achar por conta da fila na porta. No dia que eu fui, ela já estava lotada as nove da manhã.

A arquitetura e a decoração eram tão lindas que deixaram minha expectativa lá em cima. Mas para mim, de nada adianta o invólucro se o conteúdo deixa a desejar. E a Confeitaria não me decepcionou. Minha ida até lá não foi planejada, e foi logo depois do meu café da manhã. Um evento foi cancelado em cima da hora, e por isso pude aproveitar uns minutos de brecha para ir até lá. Mas a fome que eu não tinha não me permitiu experimentar muitas coisas.

 Detalhe da decoração da Confeitaria. Fiquei tão empolgada que esqueci de tirar foto da fachada.

Detalhe da decoração da Confeitaria. Fiquei tão empolgada que esqueci de tirar foto da fachada.

Eu tomei o chá com duas torradas Petrópolis, um pão fofinho feito na chapa, que vem acompanhado de várias geleias e mel. Tava muito bom. Vou ter que voltar porque lá tudo tinha uma cara ótima. Fiquei feliz que pude visitar esse ícone do Rio de Janeiro no meio de tanta correria. Super recomendo.

 As torradas fofinhas de Petrópolis.

As torradas fofinhas de Petrópolis.

 E esse bolo de chocolate, porque a gente nunca está para brincadeira.

E esse bolo de chocolate, porque a gente nunca está para brincadeira.

CIPRIANI

Eu sou a favor de restaurantes simples e de restaurantes especiais. Acho que tudo depende do contexto e da ocasião, mas acredito também, e muito, que a nossa vida deve ser celebrada constantemente. Gosto de uma festa, sabe?

Por uma sorte do destino, minha mãe conseguiu fazer um bate e volta para poder olhar de perto o trabalho que havíamos feito com tanta dedicação para as Olimpíadas. E, aproveitando a companhia especial, decidi dar um check em mais um nome do meu caderninho: o Cipriani, que fica localizado no lindo Copacabana Palace. Quando em Roma... por que não?

Fiz a reserva numa segunda-feira, quando o restaurante estava calmo. A atmosfera mais silenciosa te deixa aproveitar mais o momento, apreciar os detalhes da decoração, do sabor, e da vista maravilhosa, que dava para a piscina mais famosa da região.

O Cipriani é sim um restaurante especial, e deve ser apreciado como tal. Sobre a comida, vou deixar minha opinião aqui, e devo dizer que fiquei muito bem impressionada. Mas esse tipo de avaliação fica a critério de cada um. Como não sou uma crítica gastronômica, prefiro falar mais sobre o que eu senti do que detalhes técnicos de cocção, infusões, etc. Essa é a minha regra. Mas uma coisa é certa: acho que nunca vou chegar ao ponto de ficar blasé em restaurantes especiais... fiquei super empolgada antes de ir =). Me julguem, rsrs.

Agora vamos à comida (explicações nas legendas):

 A qualidade das foto não está muito boa, porque eles pedem a gentileza de evitar o uso de celular no restaurante (muito bom isso, chega a ser um alívio não ver as pessoas vidradas em uma telinha). Por isso eu tentava ser o mais rápido possível nas fotos. Acima, Burrata envolta por Carpaccio de Wagyu, com pérolas de vinagre balsâmico.

A qualidade das foto não está muito boa, porque eles pedem a gentileza de evitar o uso de celular no restaurante (muito bom isso, chega a ser um alívio não ver as pessoas vidradas em uma telinha). Por isso eu tentava ser o mais rápido possível nas fotos. Acima, Burrata envolta por Carpaccio de Wagyu, com pérolas de vinagre balsâmico.

 O melhor risoto de pera com queijo da vida. Eu nunca peço risoto em restaurantes, porque não sei quem ensinou que arroz al dente é sinônimo de arroz cru. Quer me matar de desgosto é me servir um risoto com o grão cru por dentro (se eu contasse quantos restaurantes "autênticos" fazem isso...). Mas no caso do Cipriani, não tinha nem por quê me preocupar. O arroz no ponto mais perfeito, o sabor incrível. Escorreu uma lágrima quando acabou.

O melhor risoto de pera com queijo da vida. Eu nunca peço risoto em restaurantes, porque não sei quem ensinou que arroz al dente é sinônimo de arroz cru. Quer me matar de desgosto é me servir um risoto com o grão cru por dentro (se eu contasse quantos restaurantes "autênticos" fazem isso...). Mas no caso do Cipriani, não tinha nem por quê me preocupar. O arroz no ponto mais perfeito, o sabor incrível. Escorreu uma lágrima quando acabou.

 Lombo de Cordeiro em Crosta de Ervas e Batata Gratinada. Uma delícia. Para mim, o segredo de uma boa comida são ingredientes frescos (e não precisam ser caros) e o uso do fogo corretamente.  O ponto desse lombo estava perfeito, nem um segundo a mais ou a menos de fogo. Lá no Rio me decepcionei com o ponto das carnes, mas esse jantar superou expectativas.

Lombo de Cordeiro em Crosta de Ervas e Batata Gratinada. Uma delícia. Para mim, o segredo de uma boa comida são ingredientes frescos (e não precisam ser caros) e o uso do fogo corretamente.  O ponto desse lombo estava perfeito, nem um segundo a mais ou a menos de fogo. Lá no Rio me decepcionei com o ponto das carnes, mas esse jantar superou expectativas.

 Esfera de Chocolate com Frutas Vermelhas e Calda de Caramelo. Essa é a típica sobremesa "show". Eu normalmente vou nas sobremesas que parecem menos doces ou que são mais simples, mas essa me chamou a atenção. Vem uma esfera de chocolate, que leva um banho de calda quente, fazendo com que o chocolate derreta e revele um creme muito bom de frutas vermelhas. Recomendo pelo sabor e pela diversão.

Esfera de Chocolate com Frutas Vermelhas e Calda de Caramelo. Essa é a típica sobremesa "show". Eu normalmente vou nas sobremesas que parecem menos doces ou que são mais simples, mas essa me chamou a atenção. Vem uma esfera de chocolate, que leva um banho de calda quente, fazendo com que o chocolate derreta e revele um creme muito bom de frutas vermelhas. Recomendo pelo sabor e pela diversão.

 A tábua de café do Rubayat foi destronada pela do Cipriani. Quando peço o café, vem ISSO. Indescritível. Essa bolinha verde é a melhor trufa de chocolate que já comi. 

A tábua de café do Rubayat foi destronada pela do Cipriani. Quando peço o café, vem ISSO. Indescritível. Essa bolinha verde é a melhor trufa de chocolate que já comi. 

 E como brinde: essa vista. De suspirar, de fazer lembrar (ou imaginar) outros tempos, onde tudo se resumia a um doce balanço a caminho do mar.

E como brinde: essa vista. De suspirar, de fazer lembrar (ou imaginar) outros tempos, onde tudo se resumia a um doce balanço a caminho do mar.

Gostaram? Me deixem suas dicas de Rio pois estou escrevendo no meu caderninho para a próxima viagem.

Beijos,