2017... IIIIIIIIIT'S TIME!

Feliz ano novo! Um pouquinho atrasado, com certeza. Mas certas coisas devem ser vividas off-line, :)

Não podia fugir à regra (ou seria clichê?) de uma breve retrospectiva de 2016. Além disso, vou aproveitar para explicar um pouco a origem do blog.

Sinto dizer, mas 2016 não foi terrível para mim. Foi muito bom. Foi polarizado, sim, mas o balanço final foi extremamente positivo.

Antes de tudo, eu pus o blog no ar! Mais precisamente no dia primeiro de abril de 2016, no dia do meu aniversário. Não foi por acaso, pois o blog era algo que eu queria há muito tempo e colocá-lo em prática foi uma espécie de presente para mim mesma.

E quando digo há muito tempo, digo mais de cinco anos, acredite (campeã em procrastinar, hein?). O adiamento desse hobby que é meu xodó se deu por vários motivos, mas o principal deles é que eu queria focar na minha carreira. Infelizmente, não sou uma pessoa multitarefas, e não consigo colocar a mesma energia em projetos diferentes. Por isso também que acabei não postando com a frequência que gostaria nesse último ano.

Mas enfim, um belo dia pus as coisas em movimento e o blog saiu! Muitos me questionam se ter um blog, ou ser uma blogueira, não está meio saturado, ultrapassado. Acredito que sim. Acredito que para os de vanguarda, o blog seja uma coisa do milênio passado.

Mas, afinal de contas, esse projeto era para mim. E eu não me importava com isso! Rs. Cheguei à conclusão que estava pronta para lançar esse projeto porque iria fazê-lo nem que eu fosse a única leitora. Sondei e testei diversas ferramentas por aí: Tumblr, Insta, Face, Snap. Mas, no fim das contas, eu gosto de escrever, e não somente cozinhar. Este canal me pareceu o melhor e mais viável a ser feito no momento.

Para 2017, no âmbito pessoal, fiz apenas uma única resolução: ENCONTRAR EQUILÍBRIO. Chega de tentar calcular quantas línguas vou aprender, quantos cursos vou fazer, para quantos países vou viajar, quantos quilos vou finalmente perder. Isso só adiciona pressão e me deixa ansiosa. Acho que se eu finalmente encontrar o equilíbrio na minha vida, já vai ser o maior ganho que eu poderia ter! Chega um momento na vida que você entende: sei que viver na cidade grande pode ser estressante, mas também não adianta eu me mudar pro meio do mato e viver de brisa porque vão sobrar lacunas que o extremo oposto pode não preencher. Uma das metas é deixar a semana feliz, e não somente ansiar pelo sábado e domingo. Alguém mais concorda?

Mas, esse é um blog de comida, e acho legal dividir alguns tópicos que penso em explorar para 2017:

1)      Chega de desperdício: sempre me policiei para nunca deixar nada no prato e não jogar nada de comida fora, mas em 2017 vou virar a policial do desperdício! Comprou, comeu. Sempre tenho a mania de cozinhar para um batalhão e depois congelar inúmeras marmitas da mesma coisa. Em 2017, isso vai acabar.

 Mas vou ser bem honesta com vocês: não sou muito fã dessa coisa de reaproveitar sobras, então o jeito vai ser cozinhar pouco mesmo, e com mais frequência. Se tiver que cozinhar uma batata somente, vai ser uma batata então.

2)      Focar nos pequenos produtores: isso soa tão hipster, não é mesmo? Mas quando digo isso, é porque quero comprar uma comida da qual eu conheça o dono, e cujo dono tenha olhado (exatamente, posto os olhos) em sua oferta. Isso quer dizer: comprar do açougue da esquina, comprar alface da banca da feira, o peixe da peixaria, a cesta de orgânicos da cooperativa e assim vai. O dono da grande rede de supermercados não tem o menor pudor de te vender uma cebola feia, mas o pequeno produtor vai escolher a melhor para te entregar.

3)      Recuperar a saúde voltando ao básico: minha mãe diz que arroz e feijão não têm glúten nem lactose e é um pouco por isso que as gerações anteriores eram mais magras (apesar de alguns sequer praticarem qualquer dieta). O ano mal começou e eu só quero saber de arroz, feijão, verdura refogada... estou com saudade da comida da minha casa, sem grandes sofisticações. Eu, que adoro experimentar uma novidade, estou com a mente (e o estômago) cansados de invencionices. Isso vai implicar em levar marmitinha para o trabalho – adoro! – e diminuir a frequência nos quilos da região. Quem sabe isso não vai fazer com que esses restaurantes dos centros comerciais valorizem mais seus clientes, porque nunca vi tanta comida ruim, malfeita e cara... tem dias que é de chorar! Também estou cansada das tendências da gastronomia funcional: é sem glúten, é sem lactose, é anti-inflamatória, é a dieta ravena, vegana, etc. Acho extremamente válido e até aplaudo essa nova consciência. Mas às vezes fica demais, e traz muita ansiedade. Acho que se focarmos na qualidade do alimento já vai eliminar muitas questões de uma vez só.

Ufa, para variar falei demais, não é mesmo?

Para 2017, quero estar mais perto daqui. Mas o Mandolina nunca sai da minha cabeça!

Super beijo e feliz 2017!

CRIANÇAS NA COZINHA

Acho que tinha uns seis anos quando comecei a ler os gibis da Magali e me encantar por comida. O primeiro reflexo veio comendo. Montava o meu prato, experimentava os legumes novos e ia descobrindo o que eu gostava ou não de comer. Com isso veio a vontade de comer tudo e mais um pouco. Mas minha mãe ajudava, dando uma segurada, fazendo coisas saudáveis.

Depois, na biblioteca, descobri um livro de culinária para crianças e me A-P-A-I-X-O-N-E-I. Alugava o livro tantas vezes que um dia eu pedi para o meu pai comprar para mim. E ele trouxe, novinho, branquinho.

Eu até dormia com o livro. Li e reli tantas vezes que sabia de cor todas as receitas. Foi uma aventura fazer os meus pratos preferidos. E eu ficava tão feliz que a família toda embarcava nessa. Não sei até hoje como meus pais deixavam. Mas eles não só deixavam, como ainda incentivavam. Elogiavam super todas as receitas (será que todas ficavam boas? haha) e ainda arrumavam toda a bagunça que eu deixava. Eu até tentava arrumar, mas criança que eu era não sabia arrumar uma cozinha do jeito que faço hoje.

Meu avô também me ajudava muito. Quando eu ia para a casa dele passar as férias, ficávamos meses fazendo receitas juntos. Ele me perguntava o que eu queria comer e fazíamos juntos todas as minhas vontades. Também chegava no natal e eu era encarregada de ajudar na ceia. Foram toneladas e mais toneladas de bolachinhas de chocolate, e tantas receitas de quiches que eu perdi a conta. Naquela época eu fazia tanta quiche que hoje nem posso ver na frente (brincadeira!).

Poder experimentar e me aventurar na cozinha tornou minha infância tão rica! Eu me divertia tanto, e isso, mais tarde, me deu um senso de independência incrível. Nunca tive que depender de miojo quando minha  mãe viajava e eu podia cozinhar comidas saudáveis para os meus irmãos quando ela não estava, ou ajudá-la na cozinha sem que ela tivesse que pedir.

Eu amava ler tudo o que podia sobre comida. Meu pai tinha uma coleção de revistas Gula, e eu passava tardes e mais tarde lendo sobre as mais variadas receitas, estilos e chefs. E isso nunca tirou o meu lado infantil, sabe? Eu desenhava, coloria, montava meus castelos com meu lego rosa, lia livros de crianças e cozinhava quando dava tempo, ou quando minha mãe deixava.

Acho que hoje em dias as crianças precisam se envolver mais no mundo real, sabe? Experimentar mais sabores e não encarar a comida como uma inimiga. Hoje vejo tantas crianças dizendo "não" para comidas saudáveis e sim para junk food e televisão. Ao mesmo tempo, vejo as mães proibindo certas comidas com açúcar ou corantes artificiais. Acho que tudo é uma questão de equilíbrio. Quando a criança ajuda no preparo da refeição, cria um envolvimento com a comida que a faz ter uma cabeça mais "aberta" para os sabores. Se levarmos as crianças para a feira, elas valorizam frutas e verduras com mais facilidade. Fora também que elas agem pelo exemplo. Se o pai não come nenhuma fruta, dificilmente ela vai ver a importância de comer também. Lembro que minha mãe comia pizza de escarola com tanto gosto que passei a comer também, meio que pra imitar e acabei gostando.

E para finalizar e incentivar as crianças irem para a cozinha, vou deixar uma das receitas que eu mais fazia quando era criança. O nome dos meus dois livros preferidos de culinária para crianças são Hora do Lanche, da Editora Caramelo e o Livro de Receitas para Crianças, da Editora Manole. Não sei se eles estão à venda, mas sempre temos a nossa Estante Virtual para salvar nossa pele!

Bolachinha de Chocolate (também conhecido como Cookie J);

  • 1 e ½ xícara de açúcar
  • 2 e ½ xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de fermento
  • 2 ovos
  • 200 g de manteiga em temperatura ambiente
  • 250 g de chocolate cortado em cubinhos

Modo de preparar:

Pré-aquecer o forno a 180 graus.

Misturar a farinha, o açúcar e o fermento. Depois, a manteiga e os ovos. Quando a massa estiver formada, acrescentar o chocolate.

Untar a forma com manteiga e farinha. Modelar bolinhas de massa, com um bom espaço entre elas, e colocar para assar por 20 minutos até as bordas ficarem douradas.

Rende 24 cookies.

Meus dois livros de culinária para crianças! :) Muito amor por eles.

Meus dois livros de culinária para crianças! :) Muito amor por eles.

Passo 1 das bolachinhas

Passo 1 das bolachinhas

Saindo do forno. Hum.....

Saindo do forno. Hum.....

Fizemos as gringas e comemos com leite gelado. Vivendo perigosamente! hahahaha 

Fizemos as gringas e comemos com leite gelado. Vivendo perigosamente! hahahaha 

NÃO ME VENHA COM CREAM CHEESE

Faz algum tempo que estava com vontade de comer um japonês “de verdade”. Porém, como reles mortal que sou, os japoneses “de verdade” estão com um preço um pouco restritivo para mim. Qualquer rodízio por aí faz com que a conta chegue a três dígitos por pessoa.

E sabe aquela situação de quando você está com vontade de comer alguma coisa, fica tentando disfarçar, comer outras comidas para matar vontade, e no final acaba gastando mais e comendo mais do que teria comido se fosse direto na vontade?

Então, aconteceu isso nesses últimos dois meses.

Ficava tentando matar a vontade de um japonês “de verdade” em qualquer rodízio mequetrefe, e saía com a conta bancária mais vazia e com um enorme peso na consciência. Outro dia, fui jantar com uma amiga e ela riu quando falei que “queria um japonês que não pusesse geléia no sushi”.

Até que um dia, no trânsito, vejo uma oportunidade que ia me salvar: o Ryo estava fazendo um soft opening de estreia e mediante reserva eu poderia experimentar uma bela demonstração da culinária kaiseki. Isso é o que eu chamo de compra “por impulso”!

Já fazia um tempo que eu estava sendo impactada por posts em instagram e notícias em jornais sobre o Ryo. Apesar de já ter ouvido falar e lido um pouco a respeito desse estilo gastronômico, em uma breve pesquisa pude descobrir que a origem da culinária kaiseki vem dos monges. Tem dois estilos de kaiseki, o formal (para a cerimônia do chá) e o casual. Os dois são compostos por inúmeras etapas servidas em porções pequenas, e cada uma tem sua função.

Finalmente, ontem, pude ter a oportunidade de provar. Foi um belo jantar, para dizer o mínimo. Composto por sete etapas (com sobremesa), o menu consistia de pratos lindos, leves e super saborosos. Os meus favoritos foram os niguiris super bem executados e os legumes cozidos em dashi. Os do meu namorado foram o peito de pato e sashimi de polvo com flor de sal. A única ressalva foi que, depois de ficar lendo o menu por algum tempo, chegou a minha vez e o uni tinha acabado. #chateada

Teve também um elemento que me surpreendeu: o chá. A expectativa em relação à comida estava altíssima, e ela correspondeu. Mas quando provei o chá servido em uma linda cerâmica, foi uma grata surpresa. Era chá verde com arroz tostado, e isso me rendeu hoje uma visita à Liberdade para fazer um estoque desse chá. Enquanto escrevo, ele me acompanha! Rsrs.

Gosto muito de sentar perto do balcão ou ter a vista da cozinha e ontem sentei em uma mesa com vista para o balcão. Chega a ser hipnotizante ver a ópera dos chefs executando os pratos, conversando com os clientes... Diversão pura! É um jantar especialíssimo, e a conta corresponde a isso. Mas vale a pena, super recomendo. Vida longa ao Ryo! (Rua Pedroso Alvarenga, 665, São Paulo).

Abaixo, os pratos desse jantar super agradável.

Etapa 1: Nimono / Maguro Nutta / Shirogai Hiyashijiru (Cozido de legumes da estação com caldo midashi; Atum escaldado ao molho de sumisso/ Sopa gelada de sanambi, cará ralado, alho-poró e nameko.)

Etapa 1: Nimono / Maguro Nutta / Shirogai Hiyashijiru (Cozido de legumes da estação com caldo midashi; Atum escaldado ao molho de sumisso/ Sopa gelada de sanambi, cará ralado, alho-poró e nameko.)

Etapa 2: Robalo com cogumelos (Cozido em baixa temperatura com molho ankake de umeshissô, cogumelos salteados e broto de bambu.)

Etapa 2: Robalo com cogumelos (Cozido em baixa temperatura com molho ankake de umeshissô, cogumelos salteados e broto de bambu.)

A aguardadíssima etapa 3: Sashimi (Serra, Carapau e Polvo).

A aguardadíssima etapa 3: Sashimi (Serra, Carapau e Polvo).

Etapa 4: Magret de Canard (peito de pato assado ao molho de redução e guarnecido com purê de brócolis e vinagrete de alcachofras). O magret estava perfeito e esse purê de brócolis era extremamente saboroso...

Etapa 4: Magret de Canard (peito de pato assado ao molho de redução e guarnecido com purê de brócolis e vinagrete de alcachofras). O magret estava perfeito e esse purê de brócolis era extremamente saboroso...

Etapa 5: As estrelas da noite, os sushis. (Atum, pargo, olhete, garoupa, toro shissô, vieira e ovas de salmão). O de garoupa estava incrível. Achamos que a adição de raspas de limão escondeu o sabor único da vieira... e até agora estou com vontade de comer o sushi de Uni, que acabou antes de chegar a nossa vez. Snif, snif.

Etapa 5: As estrelas da noite, os sushis. (Atum, pargo, olhete, garoupa, toro shissô, vieira e ovas de salmão). O de garoupa estava incrível. Achamos que a adição de raspas de limão escondeu o sabor único da vieira... e até agora estou com vontade de comer o sushi de Uni, que acabou antes de chegar a nossa vez. Snif, snif.

Etapa 6: Momotarô (tomate momotarô recheado de peixe branco ao caldo dashi de tomate.) Sutil e saboroso.

Etapa 6: Momotarô (tomate momotarô recheado de peixe branco ao caldo dashi de tomate.) Sutil e saboroso.

Etapa 7: Pudim de Limão Siciliano (pudim de limão com calda de mel, chantilly e sorvete de Sake). Detalhe do pudim (sem furinhos!). Estava bom e delicado.

Etapa 7: Pudim de Limão Siciliano (pudim de limão com calda de mel, chantilly e sorvete de Sake). Detalhe do pudim (sem furinhos!). Estava bom e delicado.

SÓ O QUE A GENTE QUER

Outubro está aí e a gente sempre toma um susto quando vemos as lojas ou os shoppings se preparando para o natal. Depois vamos ao supermercado e já tem pilhas e pilhas de panetone, que horror. Eita povo adiantando, hein?

Mas, obviamente, já comecei a pensar nas refeições natalinas.

Com esse assunto na cabeça, outro dia, jantando com a minha irmã, perguntei para ela: “Quais receitas teriam a ceia de natal perfeita para você?”.

Ela me respondeu na lata: “O bolo de nozes da vovó”.

Quando ela era pequena, fomos no aniversário de alguém da família e ela se encantou pelo bolo. Pediu a receita para minha avó e passou a fazer todos os dias! Ficamos com cara de bolo de nozes, rs.

Pelo bem de nossas saúdes, minha irmã não faz mais todos os dias, porém esse bolo tem presença certa em todos os aniversários da família do meu pai. Tem que ter. E tem que ser decorado com as rosas de porcelana que eram da minha bisavó e que dão um ar todo especial para a comemoração.

É um bolo muito simples de fazer, mas a massa cheia de nozes dá uma impressão super requintada. Dá para fazer com antecedência, e só bater o chantili na hora de servir.

Quando eu fiz, para o blog, estava na casa dos meus pais e por isso não temos rosas de porcelana na foto. Na próxima comemoração em família vou tirar uma foto e mostrar para vocês.

É uma ótima receita para fazer no fim-de-semana. E um ótimo substituto para o panetone véio de guerra do natal. Que tal a gente desafiar todas as nossas receitas de natal e fazer uma revolução esse ano? Se a ceia de natal “fosse minha”, a gente teria... bife à milanesa! Hahahahah.

E você? O que teria na sua ceia de natal perfeita?

Beijos.

Bolo de Nozes

Ingredientes (8 porções)

  • 6 ovos
  • 200 g de açúcar
  • 4 colheres de sopa de farinha de rosca
  • 250 g de nozes sem casca
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 caixa de creme de leite para bater chantili - previamente deixada para gelar

Modo de fazer:

Pré-aqueça o forno a 180 graus. Leve as nozes ao processador e bata até ficar picada grosseiramente, ou coloque dentro de um saquinho, cubra com um pano e bata até ficar apenas pedacinhos. Reserve.

Separe as claras das gemas e bata as claras em neve. Após ficarem firmes, siga batendo e adicione as gemas e o açúcar. Desligue a batedeira e adicione a farinha de rosca e metade das nozes (125 g), misturando delicadamente com uma colher de pau. Despeje a mistura em uma assadeira untada redonda de uns 25 cm e coloque para assar até dourar. Quando espetar um palito e sair seco, pode tirar.

Enquanto isso, prepare o recheio. Em uma panela, despeje a lata de leite condensado e o restante das nozes, e leve ao fogo apenas para misturar e firmar, sem ferver. Tire do fogo e deixe esfriar antes de colocar no bolo.

Ao tirar o bolo do forno, esperar esfriar um pouco, cortar ao meio e colocar o recheio.

Em uma tigela limpa, bater o creme chantili, adicionar o açúcar e bater até dar o ponto. Cobrir o bolo com o chantili para enfeitar. Bom apetite!

Esperando a produção.

Esperando a produção.

Mamis caprichou! Bota flor, bota guardanapo combinando com a flor...

Mamis caprichou! Bota flor, bota guardanapo combinando com a flor...

QUANDO SÓ UM HAMBÚRGUER SALVA

Tem vez que a gente está com uma nuvem negra em cima da gente. Às vezes bate aquela crise de identidade de “ó céus, ó vida”, de onde viemos e para onde vamos.

Tem vezes que só quero saber de procrastinar e escutar Norah Jones quieta com meu fone de ouvido.

Mas no meu caso gente, tudo é fome. Bem, quase tudo. Mas depois de sentar apropriadamente e comer uma refeição decente, eu ponho tudo em perspectiva.

Acredito que sempre tenha tido isso em minha vida. Lembro certinho, criança CDF que eu era, fazia lição sozinha, meu caderno era o mais bonito. Mas um belo dia, estava revoltada com a lição de matemática. “Pra quê? PRA QUÊ?” eu pensava. Para que estava fazendo aqueles exercícios, meu deus? Coisa inútil. Uma criança de 8 anos rebelde. Peguei meu caderninho de cálculos, joguei pelo quarto. Lápis, borracha, tudo foi pelos ares. Eram 11:50 da manhã.

Até que serviram o almoço. Tinha minhas comidas favoritas... arroz, cenoura refogada, bife à milanesa. Comi.

E depois voltei.

Recolhi o lápis, a borracha, o caderno. 

Apaguei os cálculos malfeitos, refiz tudo, rsrs.

Pronto. De barriga cheia, a criança CDF tinha voltado aos eixos.

E foi assim essa semana. Dei um belo azar e peguei muito trânsito a semana inteira para voltar para casa. E, na expectativa de chegar logo, ficava adiando o lanchinho porque achava que ia perder a fome antes do jantar. Quando via, tava de mau humor... só faltava cuspir fogo no carro da frente.

Eu sou meio contra relacionar sentimentos com comida. Mas somos todos humanos, né? Às vezes não tem muito jeito. Um hambúrguer maravilhoso, por exemplo, tem o encanto de me fazer não levar a vida tão a sério. E isso me trouxe a ideia de fazer esse texto.

Em post anterior, já falei alguns dos meus hambúrgueres prediletos nos Estados Unidos. Agora, em vez de fazer outro post dos hambúrgueres de São Paulo, decidi por uma receita.

Lanches em geral são uma ótima desculpa para reunir os amigos, e uma receita relativamente amigável de fazer. Na chácara de amigos queridos, inventamos a moda de fazer a carne, passando pelo pão, a maionese, o molhinho de tomate à la “Seu Osvaldo”. Diversão pura.

Se você dá preferência para fazer em casa, pode optar por versões com menos gordura e sal, ingredientes frescos e livres de conservantes. E fora que a gente pode pôr o que quiser, não é?

Então, esse fim-de-semana, faça a hamburguerterapia. Para os mais indulgentes, fazer com tudo o que tem direito. Para os mais saudáveis, que tal fazer um pão integral, um hambúrguer de fraldinha grelhado e sem gordura? Dá para agradar até vegetarianos se você substituir a carne por um belo shitake na brasa. A rede Five Guys dos Estados Unidos faz isso, e é uma delícia.

Hambúrguer feito pelo tio e montado pela tia.

Hambúrguer feito pelo tio e montado pela tia.

Abaixo, as minhas receitas. E algumas fotos - as fotos são de minha autoria, alguns eu fiz, outros não, mas todos eu comi =).

Nossa produção própria caipira,

Nossa produção própria caipira,

Hambúrguer

Eu gosto de hambúrguer simples. Para isso, moa uma carne de seu gosto (patinho, fraldinha) com 20% do peso com barriga de porco. Esse é o jeito que já fizemos e vi muita gente fazer. Modelar hambúrgueres de 150 a 200 gramas. Apertar bastante para que a carne não se desmanche ao ser grelhada. Temperar com sal somente depois de por na grelha ou na frigideira, para que a carne não perca todo seu líquido e fique seca, além de pimenta-do-reino moída na hora.

Pão de Batata

Esse pão fiz porque queria um pão mais fofinho para experimentar com o hambúrguer. É muito legal de fazer, porque assim podemos comer a carne com um pão que acabou de sair do forno. Por ser de batata, faz com que o lanche fique extra "nutritivo" rsrs, ou seja, só dá para comer mais de um quando bate muita fome.

Ingredientes:

  • 400 g de farinha de trigo
  • 200 g de batata cozida
  • 30 g de fermento biológico fresco
  • 50 g de açúcar
  • 5 g de sal
  • 70 g de margarina
  • 2 ovos (1 para a massa, 1 para pincelar)
  • 50 ml de leite

Modo de Preparo:

Meça os ingredientes. Cozinhe as batatas com casca. Com as batatas ainda quentes, retire as cascas e passe pelo espremedor de batatas.

Método de esponja: misturar o fermento com metade do leite e a mesma quantidade do líquido de farinha de trigo (mesmo peso na balança). Deixe levedar por 20 minutos ou até espumar em uma vasilha coberta com plástico.

Acrescente o restante dos ingredientes, menos o restante de leite, e sove até a massa ficar homogênea, acrescentando o leite aos poucos.

Deixe a massa descansar numa vasilha coberta com filme plástico por 10 minutos. Corte em pedaços e modele. Deixe crescer até dobrar de tamanho.

Finalize o pão com ovo misturado com um pouquinho de água. Asse em forno aquecido a 190 graus. Não asse em forno com temperatura muito baixa para não criar uma casca dura.

Dicas: uma vez fiz cada pão de hambúrguer com 100 gramas de massa e ficou enorme. Por isso, recomendo de 50 a 75 gramas de massa para cada bolinha. Essa receita acima dá 8 pães com 75 gramas cada. Esse pão tem um aspecto super caseiro, não é de hambúrguer, ok?

 Maionese Verde

Maionese caseira tem um sabor mais neutro que a industrializada, fora que a gente pode personalizar a nosso gosto. Lembre-se de usar ovos frescos e um liquidificador SUPER limpo e super seco para não correr o risco da maionese desandar. Eu sempre dobro a receita.

Ingredientes

  • 1 ovo
  • 1 colher de sopa de vinagre ou limão
  • 1 colher de chá de mostarda
  • Sal
  • Pimenta-do-reino
  • 2 colheres de sopa cheias de cebolinha picada (ou outro tempero que você queira).
  • Óleo até dar o ponto (eu separo no mínimo uns 300 ml para cada receita)

Modo de preparo:

Em um liquidificador, coloque o ovo, adicione o vinagre, a mostarda, sal e pimenta e um pouco de óleo. Bata até ficar um líquido homogêneo. Adicione o óleo em fio até a mistura adquirir consistência de maionese (preste atenção, o barulho do liquidificador muda e o óleo começa a ficar na superfície da maionese). Armazene na geladeira até a hora da utilização e tenha cuidado pois maionese é um produto bem perecível. Voilá!

Monte seus hambúrgueres com maionese, salada, queijo cheddar, tomate ralado. Sua imaginação é que manda. Evite passar maionese dos dois lados do pão para que ele não fique escorregadio, e quanto menos ingredientes você usar, mais você vai sentir o gosto de cada elemento. Faça e depois me conte!